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LIBERTAÇÃO - Psicógrafo: Chico Xavier - Espírito : André Luiz - CAPÍTULO – 3 - Parte – 1

Humberto J. Almeida =

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LIBERTAÇÃO - Psicógrafo: Chico Xavier - Espírito : André Luiz - CAPÍTULO – 3 - Parte – 1

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ENTENDIMENTO O zimbório estrelado, aos raios liriais da Lua, espalhava em torno vibrações de beleza inexprimível, semeando esperança, alegria e consolo. Informado quanto aos objetivos que nos conduziriam à Crosta, com escalas por uma colônia purgatorial de vasta expressão, vali-me da hora amena para aproveitar a convivência com o instrutor, tentando arrancar-lhe observações que vinham sempre revestidas de preciosos ensinamentos. – É admirável pensar – aventurei respeitosamente – que se formam verdadeiras expedições em nossa esfera para atender a simples caso de obsessão... – Os homens encarnados – redargüiu o orientador com certa vacuidade no olhar, qual se trouxesse a alma presa a imagens fugidias do pretérito – não suspeitam a extensão dos cuidados que despertam em nossos círculos de ação. Somos todos, eles e nós, corações imantados uns aos outros, na forja de benditas experiências. No romance evolutivo e redentor da Humanidade, cada espírito possui capítulo especial. Ternos e ríspidos laços de amor e ódio, simpatia e repulsão, acorrentam-nos reciprocamente. As almas corporificadas na Crosta guardam-se em passageiro sono, com esquecimento temporário quanto às atividades pregressas. Banham-se no Estige dos antigos, cujas águas lhes facultam, durante certo tempo, valiosa segurança para retorno a oportunidades de elevação. Todavia, enquanto se mergulham em olvido benéfico, demoramo-nos por nossa vez, em abençoada vigília. Os perigos que nos ameaçam os entes amados de agora ou de épocas que o tempo consumiu, desde muito, não nos deixam impassíveis. Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam. A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos. Esclarecido, com respeito à jovem senhora que nos cabia so- correr, aduzi, reverente: – A enferma, a cuja assistência fomos admitidos, está por exemplo em vosso passado espiritual... – Sim – confirmou Gúbio, humilde –, alias não fui designado para servir no caso de Margarida, a doente que nos compele à breve expedição do momento, apenas porque houvesse sido minha filha em eras recuadas. Em cada problema de Socorro, é imprescindível considerar as várias partes em jogo. Em virtude do enigma de obsessão que nos propomos resolver, somos levados a buscar todas as personalidades que compõem o quadro de serviço. Perseguidores e perseguidos entrelaçam-se, em cada processo de auxílio, em grande expressão numérica. Cada espírito é um elo importante em extensa região da corrente humana. Quanto mais crescemos em conhecimentos e aptidões, amor e autoridade, maior é o âmbito de nossas ligações na esfera geral. Almas existem que se vêem sob o interesse de milhões de outras almas. Enquanto os movimentos da vida se estendem, harmoniosos, sob os ascendentes do bem, as dificuldades não chegam a surgir; contudo, quando a perturbação se estabelece, não é fácil desfazer obstáculos, porque em tais circunstâncias é indispensável procedamos com absoluta imparcialidade, dando a cada um quanto lhe caiba. O homem terrestre, mormente nos dias tormentosos, costuma ver somente o “seu lado”, mas, acima da justiça comum, propriamente considerada, outros tribunais mais altos funcionam... Em razão disso, todos os casos de desarmonia espiritual na Terra movem aqui extensa rede de servidores que passam a tratálos, sem inclinações pessoais, em bases do amor que Jesus exemplificou e, nessas ocasiões, preparamo-nos a satisfazer todos os imperativos de trabalho salvacionista que a tarefa nos imponha ou roporcione, dentro das atividades que lhe são conexas. A essa altura da instrutiva conversação, chegamos a gracioso templo. Nesse doce recanto consagrado à materialização de entidades sublimes, a luz suave da noite calma como que se fazia mais bela. As vibrações constantes das preces, aí emitidas por vários séculos, tinham criado em torno da edificação prodigioso clima de encantamento. Melodia celeste derramava-se à surdina e as flores delicadas do átrio pareciam corresponder aos sons cristalinos, variando no brilho e na cor, quase que imperceptivelmente. Eu trazia o coração opresso, como se a felicidade das últimas horas, em que ouvira tão confortadoras e tão graves reflexões atinentes à extensão do mundo e da vida, me aproximasse a insignificância pessoal da grandeza divina e lágrimas tranqüilas inundaram-me o rosto. O instrutor tomou-nos a frente e, juntos, penetramos o jardim que circundava o aprazível santuário. Alguns irmãos adiantaram-se, acolhedores. Um deles, o Instrutor Gama, que se encarregava dos serviços da casa, abraçou-nos e disse com bondade: – Chegam no momento preciso. Os doadores de fluidos sublimados encontram-se a postos e a outra comissão já veio.