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Liturgia 26outubro2026

Helena Machado

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Liturgia 26outubro2026

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Helena Machado
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Cristo é aquele que liberta e nos chama a viver como filhos da luz. A cura da mulher encurvada revela que o amor de Deus supera qualquer lei rígida, e São Paulo nos recorda que a vida cristã é marcada pela caridade e pelo testemunho. Na primeira leitura, São Paulo exorta os cristãos de Éfeso a viverem como “filhos da luz”. O contexto histórico é importante: Éfeso era uma cidade portuária, marcada por comércio, riqueza e também por práticas religiosas pagãs. Paulo alerta contra a devassidão e a idolatria, mostrando que o verdadeiro culto é viver no amor, imitando Cristo. Essa mensagem continua atual: em meio a uma sociedade marcada pelo consumismo e pela busca desenfreada de prazer, o cristão é chamado a ser sinal de luz e gratuidade. O Evangelho de Lucas apresenta Jesus ensinando na sinagoga e curando uma mulher encurvada há dezoito anos. O número dezoito, na tradição judaica, simboliza uma vida inteira marcada pela opressão. A mulher representa todos os que carregam fardos pesados, sejam físicos, sociais ou espirituais. Jesus rompe com a interpretação legalista do sábado e mostra que a verdadeira observância da lei é libertar, curar e amar. Historicamente, o sábado era sinal da aliança e do descanso dado por Deus, mas Jesus revela que o descanso pleno só se encontra nele, que é Senhor do sábado. Hoje, muitos vivem “encurvados” por doenças, preocupações, dívidas, exclusões sociais ou feridas interiores. A Palavra nos convida a olhar para Cristo, que nos chama à liberdade. Ele nos ensina que a fé não é um peso, mas uma vida nova. Em tempos de polarizações e intolerâncias, somos chamados a ser compassivos, a perdoar e a viver na caridade. A comunidade cristã deve ser lugar de acolhida e cura, não de julgamento. Cada batizado é chamado a ser discípulo missionário. Isso significa testemunhar no cotidiano que Cristo liberta. No trabalho, na família, na escola, somos convidados a ser sinais de esperança. Como dizia Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja: “Cristo não tem mãos, só as nossas mãos para fazer o seu trabalho hoje.” Essa frase nos lembra que a missão é concreta: visitar um doente, escutar quem sofre, partilhar o pão com quem tem fome. O Evangelho nos mostra que a alegria da multidão nasce da experiência da libertação. Também nós, quando nos deixamos tocar por Cristo, nos tornamos testemunhas da sua luz. A homilia de hoje nos convida a três atitudes: imitar Cristo na caridade, como Paulo nos pede; reconhecer e acolher os que estão encurvados, como Jesus fez; ser missionários da esperança, levando a luz de Cristo aos ambientes marcados por trevas. Cristo é o centro da nossa fé e da nossa vida. Ele nos chama a viver como filhos da luz, libertos das trevas do egoísmo e da indiferença. Que esta liturgia nos conduza a sermos comunidade que cura, que acolhe e que testemunha o Evangelho com alegria. E que, como Santa Teresa nos recorda, sejamos mãos e coração de Cristo no mundo. Assim, a Palavra de hoje nos conduz ao encontro com Jesus, que nos liberta e nos envia como missionários da luz. Oremos. Senhor Jesus, que nos chamas a viver como filhos da luz, acolhe hoje nossa oração. Tu que olhaste para a mulher encurvada e a libertaste de sua prisão, olha também para nós, que tantas vezes caminhamos curvados sob o peso das preocupações, das feridas e das culpas. Estende tua mão sobre nossa vida e faz-nos erguer o olhar para o céu, para que possamos te louvar com alegria. Pai de misericórdia, que nos pedes, por meio de São Paulo, que sejamos compassivos e nos perdoemos mutuamente, dá-nos um coração semelhante ao teu. Ensina-nos a viver na caridade, a renunciar às palavras vazias e às atitudes que geram divisão. Que nossa vida seja como árvore plantada junto às águas, sempre fecunda, sempre firme, sempre voltada para ti. Espírito Santo, luz que dissipa as trevas, guia nossos passos no caminho da gratidão. Livra-nos da idolatria do egoísmo e da cobiça, e faz-nos imitadores de Cristo, que se entregou por nós em sacrifício de suave odor. Que cada gesto nosso seja sinal de esperança para os que sofrem, testemunho vivo de que o Evangelho é força que liberta. Senhor da vida, dá-nos coragem para sermos discípulos missionários, anunciadores da tua Palavra no cotidiano. Que nossas mãos sejam tuas mãos, como lembrava Santa Teresa de Ávila, e que nossos olhos sejam teus olhos, para ver os que estão caídos e levantar os que perderam a esperança. Que nossa comunidade seja lugar de cura, de acolhida e de paz. Assim, unidos à tua Igreja, proclamamos: Tu és o centro da nossa fé, o Senhor do sábado, o Deus que liberta e salva. Conduze-nos sempre ao encontro contigo, para que, iluminados pela tua presença, sejamos filhos da luz e testemunhas da tua alegria no mundo. Amém.