Перейти к содержимому

UM REINO, UM IMPÉRIO Americantiga Ensemble Sao Roque 7 Jan 2023

Americantiga Early Music Ensemble

0:00 / 0:00

UM REINO, UM IMPÉRIO Americantiga Ensemble Sao Roque 7 Jan 2023

550 просмотров · 3 г. назад
Americantiga Early Music Ensemble
744 подписчика
550 просмотров · 3 г. назад
AMERICANTIGA ENSEMBLE - Ricardo Bernardes NOVA ERA VOCAL ENSEMBLE - João Barros Um Reino, Um Império Música nos 200 Anos da Independência do Brasil O presente concerto insere-se nas celebrações dos 200 Anos da Independência do Brasil, trazendo à luz algumas importantes obras inéditas de compositores actuantes na Corte do Rio de Janeiro, desde os tempos anteriores à chegada da corte portuguesa no Rio de Janeiro (1808), passando pelo período do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815 - 1821), até ao período do I Império Brasileiro (1822 - 1831). A temática musical será centrada na figura de D. Pedro de Bragança, IV de Portugal e I do Brasil. D. Pedro foi um homem multi-facetado que, para além de todas as suas actividades como príncipe e depois monarca de dois países, foi também músico e compositor. As obras apresentadas ajudarão a criar o contexto musical bastante rico e variado em que D. Pedro esteve imerso no Brasil, tanto no teatro de ópera quanto no esplendor da Real Capela. A Real Capela de Música da corte portuguesa no Rio de Janeiro foi uma das mais importantes capelas musicais de seu tempo, contando com numerosos músicos, entre os melhores cantores e instrumentistas vindos de Portugal e de outros países europeus, tendo sido o maior agrupamento musical fora da Europa no período. As obras musicais e os compositores retratam um período de um florescimento artístico nas Américas que deu-se de modo totalmente singular no Rio de Janeiro. Abre-se o concerto com o moteto Te Christe solum novimus, de José Maurício Nunes Garcia (1767 - 1830), datado de 1800. Natural do Rio de Janeiro, possui uma vasta produção musical, sobretudo enquanto Mestre da Real Capela de Música do Príncipe Regente e Rei D. João VI, que reconhecia-o como um compositor de talento que soube adaptar-se ao novo gosto da corte a partir de 1808. O programa continua com a apresentação do solo inédito, Quoniam tu solus sanctus, da Missa de Nsa. Sra. do Carmo, composta por D. Pedro de Alcântara já em seu tempo como Imperador do Brasil e dedicada ao Papa Leão XII (1823- 1829). O solo de contralto compõe-se de um recitativo acompanhado e uma ária em dois andamentos, em que chama a atenção a escrita para o clarinete solista, instrumento tocado pelo próprio Imperador, para além do virtuosismo vocal exigido. Segue-se a Abertura em Mi Bemol maior, dita Independência, já com forte influência da música de Gioacchino Rossini (1792 - 1868). Numa lógica semelhante às das symphoniae sacrae barrocas, algumas aberturas instrumentais no século XVIII e inícios do XIX podiam ser utilizadas tanto no contexto profano dos teatros como enquanto introdução à grandes obras sacras. Deste modo, assim como nos paradigmáticos exemplos das aberturas instrumentais dos Te Deum portugueses para o Dia de São Silvestre, propomos a abertura de D. Pedro de Alcântara ao Te Deum Laudamus de Sigismund Neukomm (1778 - 1858), escrito no Rio de Janeiro para a grande celebração de Acção de Graças do dia 31 de Dezembro de 1818. Como obra final deste concerto apresentamos em estreia moderna, e eventualmente mesmo absoluta, o grande Te Deum em mi bemol maior para coro, solistas e orquestra de Sigismund Neukomm, a partir de manuscrito presente na Biblioteca Nacional de França, em que apresenta a indicação Rio de Janeiro, 29 Déc. 1818. Este Te Deum demonstra a clara ligação da música sacra de Neukomm ao estilo tardio de Joseph Haydn, com ousadias e conduções inesperadas, que já demonstram ser uma obra que transitava entre as tradições do classicismo vienense e o romantismo que se desenhava nas primeiras décadas doséc. XIX. É possível atestarmos uma adaptação estilística ao gosto da Corte Portuguesa, com a teatralidade italiana conjuntamente de fugas estritas no melhor estilo tardo-clássico de Viena. O carácter descritivo-musical com que Neukomm trata o texto do hino, permite algumas leituras mais poéticas sobre as intenções musicais, especialmente em momentos dramáticos, como no impressionante coro Judex crederis em que o terror perante o Juiz Supremo é precedido pelas chamadas das trombetas apocalípticas, em puro contraste com o lirismo e doçura dos solos ou da alegria quase incontida do coro Per singulos dies. Neste andamento, o compositor presta clara homenagem ao oratório “A Criação” do seu mestre J. Haydn, obra que conhecia profundamente e cuja execução terá promovido no Rio de Janeiro em 1821. A belíssima fuga sobre o texto final do In te speravi Domine, em que roga pela felicidade futura, conclui esse grande hino de Ação de Graças, deixando uma mensagem de esperança e celebração, nada mais adequado para recordarmos os últimos dois séculos em que, ainda que com percalços naturais da História, fizeram de Portugal e Brasil nações amigas e povos irmãos.