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Sem rosto no espelho – O medo de Narciso – a perda da Autoimagem.

Adelmo Marcos Rossi

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Sem rosto no espelho – O medo de Narciso – a perda da Autoimagem.

54 просмотра · 12 дней назад
Adelmo Marcos Rossi
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Ele perde todo sentimento de continuidade, toda segurança de ser ele mesmo ao fio do tempo. Perde também a convicção de sua unidade, de sua coerência. O laço entre rosto e pessoa, rosto e identidade O rosto é o que se apresenta de si ao olhar de outrem, essa figura individualizada oferecida aos olhos de quem quer que vos aborde de frente e que é como o selo da vossa identidade. Aquele que já não se reconhece no espelho, tendo erguido essa máscara, teme o que descobre. Mas de que, ao certo, tem medo? Reencontrar a própria imagem apesar do ultraje do tempo, não é o movimento príncipe, fundador de si Para um sujeito, o que, na origem, define o contorno do seu Eu não é o seu reflexo especular. É uma outra imagem. Ou, antes, não: não é uma imagem; é uma representação[SUSTO] Um rosto atravessado por acaso doravante único; um rosto reconhecido entre todos doravante único É porque o seu rosto é único para um olhar amante que o sujeito dispõe de uma identidade Tratar-se-á para ele de se afastar da tirania que esse olhar exerce Pela imagem embaciada que descubro acima da pia do meu banheiro Ao se reconhecer no olhar que ele próprio dirige à sua imagem no espelho Isto é a minha imagem “Não me vi no meu espelho!… Estava vazio, claro, profundo, cheio de luz! Minha imagem não estava lá dentro… e eu estava em frente, eu! Via o grande vidro límpido de alto a baixo. E olhava aquilo com olhos enlouquecidos; e já não ousava avançar, já não ousava fazer um movimento, sentindo bem, contudo, que ele estava ali, mas que ainda me escaparia, ele cujo corpo imperceptível havia devorado o meu reflexo” Freud acredita então ver um velho barbudo sair dali, levanta-se para avisá-lo de que se enganou de compartimento e percebe que está diante da própria imagem no espelho fixado à face interna dessa porta. Por um tempo, tomou o reflexo do velho barbudo por outra pessoa. E teve medo da intrusão. De onde vem o equívoco? De uma desqualificação passageira da percepção, com certeza. Por um instante, Freud já não acredita nos próprios olhos. O que eles lhe devolvem não corresponde à imagem que ele conservava de si mesmo. O que se perde, na percepção da imagem, não é a sua caracterização (Freud reconhece que se trata de um velho barbudo); é o que ela significa: a permanência do sujeito. Ora, a representação dessa permanência se inscreve no olhar do objeto.