Ep. 07 | José Alexander, PhD (Alex) | A linha parece estática, mas está sempre em movimento.
Além do projeto
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Ep. 07 | José Alexander, PhD (Alex) | A linha parece estática, mas está sempre em movimento.
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Além do projeto
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Uma linha de transmissão parece estática. Torres firmes, cabos alinhados. Mas o vento nunca para, a vibração está sempre lá, e ela cobra seu preço de forma contínua, silenciosa e acumulada. Quando o problema aparece já virou rompimento de cabo, falha em ferragem de cadeia, ou PV por indisponibilidade. E o pior: o projeto dizia que estava tudo OK.
José Alexander (Alex), professor titular da Universidade de Brasília onde tem atuado nos últimos 23 anos, PhD pela Universidade de Oxford. Tem atuado em pesquisas e consultorias associadas a fadiga e vibração em cabos condutores e estruturas metálicas, fadiga multiaxial, fadiga por fretting em acoplamentos mecânicos, mecânica da fratura e dinâmica estrutural. O Prof Alex senta com Paulo e Douglas para discutir o que o setor raramente coloca na mesa: os erros que acontecem mesmo sem evento extremo, que nascem de projetos equivocados, produtos fora de especificação aceitos sem filtro, e de uma engenharia de proprietário cada vez mais enxuta para conferir o que recebe.
A conversa começa pela pressão estrutural do modelo de concessão, que força orçamentos apertados e cria “bombas relógio” no projeto de componentes críticos, e vai fundo nos erros mais comuns de campo: a manilha colocada inocentemente para facilitar a montagem de cabos estais mas que termina provocando a ruptura da alça da fundação por introduzir um momento fletor não previsto no projeto; as emendas preformadas passando pelo bull-wheel antes do grampamento, submetidas a cargas para as quais não foram projetadas, e sem estudos sistemáticos e bem documentados que consolidem esta prática; espaçadores com defeitos internos instalados em grandes subvãos, recebidos sem radiografia e distribuídos erroneamente pelos vãos. Discute criticamente o parâmetro H/W, seus limites como critério de projeto para cabos de liga alumínio 1120, e por que atacar diretamente a causa do problema com sistemas de amortecimento eficientes é mais eficaz do que controlar apenas a carga de esticamento. Traz também o exemplo da Austrália, onde toda peça recebida é reensaiada de forma independente pela transmissora. Exemplifica caso em que o vibrógrafo registra 800 micro-strain de deformação a flexão em um condutor em projeto executado e aprovado por fabricante de sistema de amortecimento, enquanto normas, como da IEEE limitam este valor a 150 micro-strain.
No final, a conversa atravessa tecnologia, P&D e qualificação. Há alertas sobre as regras do P&D da ANEEL, que ao seu ver mudam com muito frequência e introduzem insegurança jurídica/administrativa ao sistema, levando empresas a preferir pagar a Selic do que a realizar o investimento.
Se você já recebeu um projeto de amortecimento aprovado pelo fabricante, instalou, e a linha continuou vibrando em níveis que ninguém consegue explicar, este episódio é pra você.