O Brasil não tinha aposentadoria até 1923 — quem pagava as contas de quem não trabalhava mais?
Arquivo Brasil
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Quem pagava as contas de um brasileiro que não conseguia mais trabalhar antes de 1923? A resposta é um inventário de arranjos que quase ninguém conhece: o filho mais velho, que era a única poupança possível; as irmandades, que vendiam enterro e cancelavam o direito de quem atrasava a mensalidade; o montepio da guarda pessoal de D. João VI, de 1808; o Montepio Geral de 1835, cujas pensões eram custeadas em parte por recursos de loterias; e o Asilo de Mendicidade do Rio, inaugurado em 10 de julho de 1879 e dirigido pelo chefe de polícia da corte. Entre 1888 e 1892, sete normas criaram caixas de aposentadoria — todas para servidores e empresas do Estado. Em outubro de 1918, a gripe espanhola matou 930 pessoas em um único dia no Rio de Janeiro e destruiu a única proteção real que o país tinha: ter parente vivo em idade de trabalhar. Cinco anos depois vinha o Decreto 4.682, de 24 de janeiro de 1923, a Lei Eloy Chaves, que criou 24 caixas para 82.416 ferroviários num país de 30,6 milhões de habitantes. A lei, a data, o nome de quem assinou e o que aconteceu com todos os outros.