Durante 6 meses, busquei de graça o filho da minha vizinha na escola. Quando pedi ajuda, ela…
Contos de Creuza
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Durante 6 meses, busquei de graça o filho da minha vizinha na escola. Quando pedi ajuda, ela…
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Durante seis meses eu levei e busquei o filho da minha vizinha todos os dias, dei almoço, fiz lição de casa com ele e nunca cobrei um centavo. Achei que era amizade. No dia em que eu amanheci com trinta e nove graus de febre e pedi ajuda pela primeira vez, ela me disse que ficar doente era problema meu — porque tinha hora marcada na manicure.
Foi ali que eu entendi que ninguém tinha me obrigado a nada. Eu mesma tinha aceitado, um sim de cada vez, até a minha vida virar o quintal de outra pessoa.
Nessa história eu conto o que aprendi depois, e que talvez sirva para você: por que a escola só entrega a criança a quem está na ficha, o que a lei exige de quem transporta filho dos outros, por que ajudar todo dia não é carona, e por que deixar alguém usar o que é seu, por dez anos que seja, nunca transforma o que é seu em direito dele.
Se você é aquela pessoa que todo mundo chama e que nunca é chamada, fica comigo até o fim.