O que os Antigos Humanos Faziam para Sobreviver sem Trabalhar?
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O que os Antigos Humanos Faziam para Sobreviver sem Trabalhar?
Toda a pesquisa e fontes estão vinculadas abaixo.
📚 PESQUISA E FONTES:
▸ Estudo de Richard Lee sobre horas de trabalho — "What Hunters Do for a Living, or, How to Make Out on Scarce Resources" (1968, em Man the Hunter, Aldine Publishing). O trabalho de campo de Lee com os Ju/'hoansi, iniciado em 1963, registrou cerca de 17 horas por semana dedicadas à obtenção de alimento.
▸ A Sociedade Original de Abundância — "Stone Age Economics" de Marshall Sahlins (1972, Aldine-Atherton). O ensaio que reformulou os caçadores-coletores como a primeira sociedade abastada.
▸ Declínio da saúde óssea com a agricultura — "Paleopathology at the Origins of Agriculture", organizado por Mark Nathan Cohen & George Armelagos (1984, Academic Press). Menor estatura, mais cáries e mais doenças articulares entre os primeiros agricultores em comparação com os caçadores-coletores que os precederam.
▸ Corrida de resistência e caça por perseguição — "Endurance running and the evolution of Homo" (2004, Nature) — a transpiração e a dissipação de calor permitiam que os humanos superassem presas mais rápidas em resistência.
▸ Contas de conchas da Caverna Blombos, África do Sul — "Middle Stone Age Shell Beads from South Africa" (2004, Science) — conchas perfuradas de caramujos marinhos usadas como adornos há mais de 70.000 anos.
▸ Flauta de Hohle Fels, Alemanha — "New flutes document the earliest musical tradition in southwestern Germany" (2009, Nature) — uma flauta feita de osso de ave com cinco furos para os dedos, com cerca de 40.000 anos, escavada em 2008.
▸ Polly Wiessner — "Embers of society: Firelight talk among the Ju/'hoansi Bushmen" (2014, Proceedings of the National Academy of Sciences) — 81% das conversas à luz da fogueira giravam em torno de histórias.
▸ Tempo social entre os Ju/'hoansi — "Affluence Without Abundance: The Disappearing World of the Bushmen" de James Suzman (2017, Bloomsbury). Cerca de seis horas por dia dedicadas puramente ao convívio social.
▸ Sono bifásico — "Sleep We Have Lost: Pre-industrial Slumber in the British Isles" de A. Roger Ekirch (2001, The American Historical Review). Evidências históricas de um "primeiro sono" e um "segundo sono", com uma hora tranquila de vigília entre eles.
▸ Os Hadza — "The Hadza: Hunter-Gatherers of Tanzania" de Frank Marlowe (2010, University of California Press). Padrões de horas de trabalho compatíveis com a faixa de 15 a 20 horas.
▸ A transição para a agricultura — "Guns, Germs, and Steel" de Jared Diamond (1997, W. W. Norton) e as origens da agricultura no Crescente Fértil, há cerca de 10.000 anos.
PESSOAS E LOCAIS MENCIONADOS NESTE VÍDEO:
▸ Richard Lee — Antropólogo que foi até o Kalahari em 1963 com um caderno e um cronômetro e registrou como os Ju/'hoansi realmente passavam cada hora do dia. Sua contagem — cerca de 17 horas por semana obtendo comida — derrubou a narrativa clássica de luta constante pela sobrevivência.
▸ Polly Wiessner — Antropóloga da University of Utah. Seu estudo de 2014 comparou conversas diurnas e noturnas entre os Bushmen Ju/'hoansi e descobriu que mais de 80% das conversas ao redor da fogueira se voltavam para histórias, mitos e cerimônias — as horas em que a própria cultura talvez tenha nascido.
▸ James Suzman — Antropólogo que passou décadas com os Ju/'hoansi e documentou cerca de seis horas de puro convívio social todos os dias — porque, em um mundo sem dinheiro, polícia ou tribunais, os relacionamentos são o banco, o hospital e a aposentadoria, tudo em um só.
▸ Os Ju/'hoansi — Um dos últimos grupos na Terra ainda vivendo da caça e coleta quando os pesquisadores chegaram, em um dos ambientes mais hostis em que um ser humano pode viver — o Deserto do Kalahari, na fronteira de Botsuana.
▸ Caverna Blombos — Sítio arqueológico na costa sul da África do Sul. Contas de conchas com mais de 70.000 anos, perfuradas e enfiadas em fio para serem usadas — alguém caminhou até o litoral, coletou conchas e passou horas fazendo algo puramente belo.
▸ Caverna de Hohle Fels — Uma caverna no sul da Alemanha onde uma flauta de 40.000 anos, esculpida em osso de asa de abutre, foi escavada em 2008 — cinco furos para os dedos, espaçados para produzir notas musicais de verdade. Alguém na Era do Gelo teve tempo livre para aprender a tocar um instrumento.
▸ O Crescente Fértil — A região do Oriente Médio onde os humanos plantaram grãos e criaram animais pela primeira vez, há cerca de 10.000 anos — o momento em que a armadilha se abriu, e o momento em que o tempo humano começou a desaparecer.
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