Por Que o Polvo Se Autodestrói Depois de Acasalar?
Natureza Decifrada
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Por Que o Polvo Se Autodestrói Depois de Acasalar?
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Natureza Decifrada
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Em 2007, um robô submarino filmou uma fêmea de polvo agarrada a uma saliência de rocha a 1 400 metros de profundidade, no cânion de Monterey. Ela estava sobre seus ovos. Os pesquisadores voltaram ao mesmo ponto dezoito vezes ao longo de quatro anos e cinco meses. Ela nunca saiu dali, e em nenhuma dessas visitas foi vista comendo — nem quando ofereceram caranguejo diante da sua boca.
Cinquenta e três meses. O período de incubação mais longo já documentado para qualquer animal do planeta. No fim, restaram só as cápsulas vazias dos ovos.
Aquilo não foi um acidente. O polvo é o animal mais inteligente sem coluna vertebral que existe: resolve problemas, abre potes com rosca, reconhece rostos humanos, usa ferramentas, tem quinhentos milhões de neurônios com dois terços deles distribuídos pelos braços. E esse animal, sem exceção conhecida, se autodestrói logo depois de se reproduzir.
Em 1977, o psicólogo Jerome Wodinsky removeu cirurgicamente um par de glândulas do tamanho de cabeças de alfinete de fêmeas que já estavam em guarda dos ovos. Elas abandonaram a postura, voltaram a comer, ganharam peso, algumas voltaram a acasalar — e viveram cerca de seis meses a mais. Em 2018, uma equipe da Universidade de Chicago descobriu o que essas glândulas despejam no sangue depois da postura: não um hormônio, mas quatro sistemas ativados ao mesmo tempo.
Mas a parte mais estranha desta história não é a morte. É o preço que ela cobra da espécie inteira. A mãe morre na eclosão; o pai morreu meses antes. Nenhum polvo jamais conhece a própria mãe, e as gerações nunca se sobrepõem — mesmo sabendo, desde 1992, que um polvo é perfeitamente capaz de aprender observando outro polvo. Não existe cultura de polvo. Cada indivíduo resolve o mundo do zero e leva a solução consigo.
Capítulos:
I — O que exatamente se perde
II — O interruptor
III — O programa por dentro
IV — Por que a evolução manteria isso
V — Uma inteligência sem herança
VI — E então chegamos nós
Fontes principais: Wodinsky, Science (1977) · Wang & Ragsdale, J. Exp. Biol. (2018) · Robison, Seibel & Drazen, PLOS ONE (2014) · Fiorito & Scotto, Science (1992) · Finn et al., Current Biology (2009).
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