Afonso Moura. “Vivemos na ordem tripolar, composta pelos Estados Unidos, China e Rússia”
Estado com Arte
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Afonso Moura. “Vivemos na ordem tripolar, composta pelos Estados Unidos, China e Rússia”
Uma parceria de Luís Gagliardini Graça e o Estado com Arte Magazine.
Dezembro 10, 2025
No último almoço das Conversas no Dom Carlos no passado dia 5 de dezembro, sexta-feira, em Cascais, foi orador Afonso Moura, geopolitólogo e doutorando na Universidade de Coimbra. Nesta intervenção fez uma abordagem ao posicionamento da União Europeia num “mundo multipolar”, uma análise à dinâmica entre Estados Unidos, China e Rússia, e as implicações para a Europa no contexto geopolítico atual. Uma organização de Luís Gagliardini Graça.
Afonso Moura, investigador da Universidade de Coimbra, sobre o xadrez da Geopolítica Moura actual tem uma definição e perspetiva pessoal: assume uma “distinção fundamental entre Europa e União Europeia”, acredita que a “segunda não é um estado soberano, ao contrário de outras grandes potências globais.” O orador convidado das conversas do Dom Carlos, o comentador da SIC Notícias e no Canal NOW, segue a tradição do realismo político, influenciado por Tucídides, Maquiavel e Thomas Hobbes.
Defende que a geopolítica é uma “arte” que cruza várias ciências, permitindo uma visão específica do mundo.
A abordagem realista de Moura apoia-se numa narrativa histórica-política, onde cada um dos pensadores da “Santa Trindade Realista” fornece um pilar conceptual: Tucídides (estrutura histórica), Maquiavel (essência da política) e Hobbes (estrutura moderna de poder).
Ordem mundial Tripolar
Segundo Moura, “não vivemos num mundo bipolar”, mas antes “vivemos numa ordem tripolar, composta pelos Estados Unidos, China e Rússia”. Sai da visão dominante de que o mundo é apenas bipolar (EUA vs. China) e alerta contra a redução da geopolítica a uma lógica meramente económica.
Para o geopolitólogo a Rússia, apesar de ter uma economia mais frágil, “detém trunfos geopolíticos que lhe conferem um papel de relevo”. Faz referência ao conceito de “operação militar especial” da Rússia na Ucrânia e compara com a retórica americana na invasão do Iraque, analisando “a manipulação jurídica dos conceitos de guerra”.