Como Calcular e Aplicar a Taxa de Compressão na Prática - Compressores LBP, HBP e MBP
Edson Girelli
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Como Calcular e Aplicar a Taxa de Compressão na Prática - Compressores LBP, HBP e MBP
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Taxa de Compressão na Refrigeração Comercial
A taxa de compressão (Rc) é um dos parâmetros mais importantes da refrigeração, pois influencia diretamente a capacidade frigorífica, o consumo de energia, a temperatura de descarga e a vida útil do compressor.
Ela é definida pela relação entre a pressão absoluta de descarga e a pressão absoluta de sucção:
Rc=
P
suc
c
¸
a
˜
o (abs)
P
descarga (abs)
Use sempre pressões absolutas
Um erro comum é calcular a taxa utilizando pressões manométricas (psig). O correto é converter para pressão absoluta, somando a pressão atmosférica (14,7 psi ao nível do mar).
Exemplo:
Sucção: 18 psig = 32,7 psia
Descarga: 240 psig = 254,7 psia
Assim:
Rc = 254,7 ÷ 32,7 = 7,8:1
Se fossem usados os valores manométricos, o resultado seria 13,3:1, totalmente incorreto.
Efeito sobre o rendimento volumétrico
Todo compressor alternativo possui um espaço nocivo, onde parte do vapor permanece retida ao final da compressão. Na descida do pistão, esse vapor precisa se expandir antes que a válvula de sucção se abra.
Quanto maior a taxa de compressão, maior é essa reexpansão e menor é o tempo disponível para admitir novo refrigerante, reduzindo o rendimento volumétrico.
Rc ≈ 3,5:1 (HBP/Ar-condicionado): mais de 90% do curso do pistão é utilizado para sucção.
Rc ≈ 12:1 (LBP/Congelados): até 30% da capacidade volumétrica pode ser perdida devido à reexpansão do gás.
Faixas típicas
HBP (+4 °C a +15 °C): Rc entre 2:1 e 4:1 – alta eficiência e baixa temperatura de descarga.
MBP (-7 °C a 0 °C): Rc entre 4:1 e 7:1 – equilíbrio entre desempenho e consumo.
LBP (-23 °C a -30 °C): Rc entre 8:1 e 13:1 – menor rendimento volumétrico e temperaturas de descarga elevadas.
Limites de operação
O aumento da taxa de compressão eleva significativamente o trabalho do compressor e a temperatura de descarga.
Até 110 °C: operação segura.
Acima de 120 °C: o óleo começa a sofrer degradação térmica (cracking), formando borra e carbonização, comprometendo válvulas, anéis, mancais e a lubrificação.
Quando a aplicação exige taxas superiores a 10:1 ou 12:1, é recomendável utilizar compressão em dois estágios, injeção de vapor (economizer), booster ou cascata, reduzindo a temperatura de descarga e aumentando a confiabilidade do sistema.
Em resumo: quanto maior a taxa de compressão, maior será o esforço do compressor, maior o consumo de energia, menor o rendimento volumétrico e menor a vida útil do conjunto compressor/óleo. Controlar esse parâmetro é fundamental para obter eficiência, confiabilidade e longa vida operacional.
Sejam todos bem-vindos ao canal Edson Girelli, sou engenheiro mecânico e trabalho com refrigeração desde 1994!
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