O Estrago Que o Japão Esconde: Mulher de 60 Anos Adoece Quando o Marido Se Aposenta
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O Estrago Que o Japão Esconde: Mulher de 60 Anos Adoece Quando o Marido Se Aposenta
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Existe uma mulher no Japão, de sessenta e poucos anos, que começou a ter falta de ar dentro da própria casa.
Primeiro veio uma coceira no braço que não passava com pomada nenhuma. Depois a pressão subiu. Depois vieram as noites acordada, com o coração batendo rápido sem motivo. Ela fez exame de sangue, do coração e do estômago. Não deu nada.
Até que a médica fez uma pergunta que não estava no formulário: aconteceu alguma coisa nova em casa?
Tinha acontecido. O marido dela tinha se aposentado.
Em 1991, o médico japonês Nobuo Kurokawa apresentou isso à Sociedade Japonesa de Medicina Psicossomática, com nome e lista de sintomas: shujin zaitaku sutoresu shoukougun (主人在宅ストレス症候群). Traduzido: síndrome do estresse de ter o marido em casa. Úlcera, pressão alta, erupção na pele, asma, insônia, palpitação.
O mundo inteiro repete que 60% das japonesas mais velhas sofrem disso. Ninguém consegue dizer de onde saiu esse número. Então este documentário foi atrás de quem mediu de verdade: um painel do governo japonês que acompanhou 3.794 mulheres casadas durante onze anos, e um estudo publicado em revista científica internacional que usou uma lei trabalhista para separar causa de coincidência.
Neste documentário você vai ver:
▸ Por que, durante trinta anos, aquele homem dormia na casa, mas não morava nela
▸ NURE-OCHIBA e SODAI-GOMI: "folha molhada" e "lixo volumoso", os dois apelidos que as esposas usam para o marido aposentado
▸ O número de 60% que viajou o mundo sem fonte nenhuma, e o que apareceu quando alguém finalmente mediu
▸ Quanto o sofrimento delas sobe no primeiro ano, e o que acontece no quarto e no quinto
▸ A lei de 2006 que permitiu provar a causa: cada ano a mais com o marido aposentado aumenta a chance da síndrome entre 5,8 e 13,7 pontos percentuais
▸ O achado que contraria a intuição: as mulheres que trabalhavam fora ficaram pior, e as que ficavam em casa, não
▸ JUKUNEN RIKON: o divórcio depois de vinte anos de casamento, que bateu recorde, e o mito da lei de pensão de 2007
Uma história que parece japonesa, mas cujo mecanismo é universal: quando uma pessoa constrói a vida inteira na ausência da outra, a aposentadoria não destrói o casamento. Ela só revela uma retirada que já tinha acontecido, sem ninguém sair de casa.
FONTES CONSULTADAS
• Bertoni & Brunello — "Pappa Ante Portas: The effect of the husband's retirement on the wife's mental health in Japan", Social Science & Medicine (2017) / IZA DP 8350
• Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão — Pesquisa Longitudinal de Adultos de Meia-Idade e Idosos (2005-2016) e estatísticas de divórcio
• "What Factors Affect the Evolution of the Wife's Mental Health After the Husband's Retirement? Evidence From a Population-Based Nationwide Survey in Japan"
• Nobuo Kurokawa — apresentação à Sociedade Japonesa de Medicina Psicossomática (1991)
• OCDE — dados de uso do tempo (2020)
• "Late-Life Divorce in Japan Revisited: Effects of the Old-Age Pension Division Scheme"
• Regra oficial japonesa de divisão da pensão de empregado no divórcio (2007)
• Washington Post (2005) · BBC News (2006) · Irish Times · Nippon.com · Unseen Japan
A cena de abertura e o dia reconstruído no vídeo são reconstruções ilustrativas, montadas a partir do que as fontes descrevem. Nenhum caso nominal foi inventado. A síndrome é uma condição reconhecida culturalmente no Japão, e não um diagnóstico de manual internacional de doenças.
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