Ideologia e Tal - Rezem por Aquele Homem (Part. Kiko Santana)
Ideologia e Tal
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Ideologia e Tal - Rezem por Aquele Homem (Part. Kiko Santana)
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Ideologia e Tal
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Contato para shows: William (WM)
Telefone: +55 (61) 8544-8455
Ficha Técnica:
Intérpretes: Mascoty, WM, Laby, Kiko Santana
Produção Executiva: Daher Chagas Mittelstaedt
Direção: Allan Ribeiro @Allan2ls
Direção de fotografia: André Feitosa @f8tosa
Produção: Allan Ribeiro/André Feitosa
Edição: André Feitosa
Assistente de Câmera: Danillo Oliveira/Marco Fonseca
Direção de Arte: Poliane Amaral @poli_amarals
Compositores: Fernando Azevedo
Produção musical: Gibe
LETRA:
Às vezes eu paro e fico a pensar no que pode acontecer
Portanto, reflito, preciso de um minuto só.
A vida lá escrita ao nascer, pra compreender,
Veja aquele homem, um corpo estirado no chão.
Na calçada suja, uma poça de sangue.
Há cinco minutos atrás, sentado ali, a pensar em sua vida,
Como melhorar, não lembrar do passado,
Impossível encontrar saída.
Mas vejam, dizem que, na hora da morte, recordamos tudo.
Acho que não daria tempo de resumir sua vida em alguns minutos.
Não, não dá pra pensar, só vêm as partes piores na mente.
Tenta decidir. Ao seu lado, a arma reluz,
Uma bala no pente.
Perturbações lhe atormentam, já não raciocina direito.
Se afundar no álcool e nas drogas,
O caminho curto não é o correto.
Somente outra vítima de uma lavagem cerebral
Que enoja qualquer porco.
Injeção letal, meu mundo atual.
Quinhentos anos e nada foi feito,
E o que nos resta mesmo é apenas rezar.
Ninguém vai chorar por nós.
Vejam aquele homem.
Vejam, a mente era fraca, não pensava em nada.
Olha o que restou:
Um corpo no noticiário.
Agora, sim, uma fama ele alcançou,
Bem diferente da que tinha pensado pra si durante alguns anos.
Até de seu filho esqueceu.
Durante sua vida, viveu no engano.
Meteram na cabeça dele que negro tem que ser pobre e ser ladrão,
Viver sonhando com dinheiro, se acabar nas drogas, um abraço então.
Eles batem palmas com isso,
Divertem-se às custas da nossa miséria.
Que sistema podre!
Que merda, o inferno é o limite, está sempre aberto.
Meu Deus, olhai para os seus filhos,
Não deixe que acabe mais nisso.
Orai por todos aqueles que partem da favela, assim eu imploro.
Proteja os que aqui ficam,
Para que nunca se acabem assim.
A fita amarela, o pente vazio,
Somente mais um.
Imploro ao Pai Celestial,
Oh, Deus, escuta minha prece.
Imploro ao Pai Celestial.
Sentou sozinho, acabou-se.
Peço que rezem.
Anos e anos de vida jogados fora.
Por mais que não tenha boas lembranças,
Partir dessa forma é mais do que foda.
O que parece ser terrível
É o que se passa na mente nessa hora.
Quanto vale a vida de um ser humano?
A merda de uma bala só acaba com um sonho.
É decepcionante demais.
Vamos rezar...
A polícia chegou na área querendo uma explicação,
Como se adiantasse alguma coisa.
Só resta limpar a sujeira no chão.
O otário recolhe a arma que fez o serviço,
Uma automática.
Os rostos em volta admiram, não entendem nada,
Comentam bobagens.
Alguns falam sacanagens.
A mãe, descabelada, chora seu filho caído sem vida.
A estrada fechada há mais de dez horas.
Se lamenta, reclama, sua riqueza foi pro espaço.
Clama a Deus nas alturas,
Chora e desmaia,
E é carregada nos braços.
Será, meu Deus, que não existe outra saída?
Tentar se reintegrar é difícil, eu sei,
Mas é mais fácil ainda
Que meter uma bala na nuca,
Deixar mulher maluca.
Por mais que tente, não entendo.
É coragem demais...
É preciso muito sangue-frio
Pra puxar o gatilho encostado a si mesmo.
O desespero de quem vive humilhado
Faz coisas que até duvidamos.
Penso se, por um sobressalto,
O cara não tem tempo de se arrepender.
O que se passa em sua mente
Esperando o momento certo pra morrer?
“São momentos de angústia, desespero...
Esses mesmos momentos que dão e tiram a vida...”
Cinco anos de sua vida perdidos
Na cela de um presídio imundo.
Seu destino, vê só: a merda.
Viver na miséria, contente com isso.
Não suportou a pressão.
Seu filho nasceu, chora de fome à noite.
Na rua, à procura de um trampo,
Os homens lhe veem — segura o açoite.
Lembro como ele chegou,
Tirou sua arma da cinta e sentou.
Um corpo que pedia ajuda em meio a milhares,
Ninguém se ligou.
Esqueceu que iria deixar seu filho à mercê daquele sistema,
O mesmo que lhe destruiu
E meteu em seu cérebro a história errada.
E o que restava a fazer?
Sentado ali a pensar...
As partes ruins de sua vida
Vêm em sua mente lhe atormentar.
Destrava a arma, coloca o pente,
Verifica se está tudo em ordem.
Derrama uma lágrima,
Pede perdão...
Pow, pow, pow, pow, pow, pow.
Meu Deus, olhai para os seus filhos,
Não deixe que acabe mais nisso.
Orai por todos aqueles que partem da favela, assim eu imploro.
Proteja os que aqui ficam,
Para que nunca se acabe assim.
A fita amarela, o pente vazio,
Somente mais um...
Imploro ao Pai Celestial...
Oh, Deus, escuta minha prece.
Imploro ao Pai Celestial.
Sentou sozinho, acabou-se.
Peço que rezem por aquele homem...