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A Geologia me guia - Geobiologia, Evolução e Esperança em Galápagos, Equador

Sociedade Brasileira de Geologia

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A Geologia me guia - Geobiologia, Evolução e Esperança em Galápagos, Equador

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02.SET.26 - 19h00 Palestrante: Cristiano Camelo Rancan (PETROBRAS / DE-SBG) Convidado especial: Leonardo Costa de Oliveira (PETROBRAS) Apresentação e mediação: Elisa Barbosa (UFG / DE-SBG) Série A GEOLOGIA ME GUIA - Roteiros de tirar o fôlego: #EP04 - "Geobiologia, Evolução e Esperança em Galápagos, Equador" O arquipélago de Galápagos, no Equador, reúne cerca de uma dúzia de ilhas principais e numerosas ilhotas, a aproximadamente 1.000 km da América do Sul, sobre a Linha do Equador. No Pacífico Oriental, corresponde a um hotspot ativo associado à Placa de Nazca, ao sul do centro de espalhamento E-W que separa as placas de Cocos e Nazca. Em geral, as ilhas mais antigas, com até 4 Ma, estão a leste, enquanto as mais jovens estão a oeste, onde o vulcanismo permanece ativo. Galápagos integra cadeias de montes submarinos mais antigas, como Carnegie e Cocos, da ordem de 20 Ma, formadas durante a interação do hotspot com as placas de Nazca e Cocos. O magmatismo combina assinaturas geoquímicas de ilhas oceânicas (OIB) e dorsais oceânicas (MORB), refletindo a interação entre pluma e dorsal. As ilhas orientais apresentam controles estruturais mais evidentes, com vulcanismo fissural relacionado a tensões regionais; as ocidentais tendem a formar grandes caldeiras e sistemas magmáticos mais robustos. Em ambos os casos predominam vulcões em escudo. Lavas basálticas em corda e escoriáceas dominam a paisagem, acompanhadas por tufos que registram episódios explosivos. Tubos de lava podem alcançar centenas de metros, formando cavernas sob extensos campos de lava. Cones de tufos, posteriormente esculpidos pelo intemperismo, criaram verdadeiras esculturas naturais. Localmente ocorre magmatismo bimodal e hidrotermalismo intenso, com precipitação de enxofre nativo, como aquele que emanava pela janela por onde Odisseu adentrou o Hades em busca de Tirésias. A geologia, expressa na geomorfologia e na idade das ilhas, controla a distribuição do clima e da vida. Nas ilhas baixas, mais frequentes a leste, predomina o clima árido, com cactos e plantas adaptadas, tartarugas de pescoço longo, iguanas douradas, pequenas aves e insetos. Nas ilhas altas, sobretudo a oeste, a altitude transforma o clima árido em úmido, permitindo florestas, iguanas rosadas, aves arborícolas e insetos peculiares, associados a tartarugas de pescoço curto e outras espécies. O clima e a geologia forçaram as espécies a se adaptar. Cactos perfuraram os basaltos e, como pioneiros, iniciaram a formação dos solos. Ao colonizarem diferentes ilhas, também modificaram esses ambientes, tornando-os propícios a outros organismos. Iguanas, por exemplo, evoluíram em estreita relação com os cactos. Essa relação entre geologia e biologia foi observada por Charles Darwin e contribuiu para a formulação da ideia de descendência com modificação por seleção natural, posteriormente conhecida como Teoria da Evolução. Os estudos de Rosemary e Peter Grant ampliaram essa perspectiva, demonstrando seleção natural, hibridização e formação de novas espécies em poucas décadas. A ruptura com o fixismo também transformou a interpretação da humanidade, posicionando-a como mais uma espécie animal. Essa mudança abre uma reflexão sobre nosso papel no planeta e o respeito às demais formas de vida. Nesse contexto, Galápagos tornou-se um dos primeiros grandes laboratórios de manejo ambiental e hoje aplica conhecimentos avançados de genética à recuperação de espécies e à conservação de biomas. Os ciclos de El Niño reduzem nutrientes e podem provocar mortalidade e colapso de populações sensíveis. Ainda assim, a vida persiste. A cada perturbação, processos naturais e esforços humanos, movidos por resiliência, insistência e esperança, buscam recompor o equilíbrio de ecossistemas raros e frágeis. Galápagos, portanto, não é apenas um ícone da evolução, mas um campo de prova permanente sobre adaptação, vulnerabilidade e restauração: um lugar onde geologia, clima e vida dialogam de modo explícito e onde conservar é também uma forma de compreender. Esse laboratório natural pode oferecer chaves para iniciativas de recuperação e preservação de diferentes biomas do planeta. SOBRE A SÉRIE "A Geologia me guia - roteiros de tirar o fôlego" é a série de registros proposta pela Sociedade Brasileira de Geologia, inspirada na paixão pela nossa ciência, que nos leva a jornadas geológicas, para conferir de perto lindas paisagens, resultantes de processos magníficos que moldam/moldaram nosso planeta. Para nós, esses vestígios são como páginas de diários que foram construídas tridimensionalmente, é uma honra frequentar essa "geoloteca" chamada Terra :) Venha conosco experimentar nossas descobertas, curta, comente, compartilhe! 🎙️ Novo na transmissão ou querendo melhorar? Confira o StreamYard e ganhe $10 de desconto! 😍 https://streamyard.com/pal/d/46586647...