01 - Infância De Verdade - LopesBriito
LopesBriito
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01 - Infância De Verdade - LopesBriito
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LopesBriito
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Musica Autoral de LopesBriito, Álbum Passado, Presente e Futuro - Nova Friburgo, RJ.
Hoje eu olho pra trás e vejo o tempo que passou,
Vejo um moleque sorrindo no lugar onde brincou.
Não tive tudo que sonhava, isso eu posso confessar,
Mas tive uma infância que dinheiro não pode comprar.
Não foi fácil, teve luta, teve dia complicado,
Mas quando lembro daquela época, eu me sinto abençoado.
Porque entre algumas dificuldades e tanta confusão,
Eu tive minha irmã, meus amigos e uma rua pra brincar de coração.
Eu e minha irmã, parceiros desde cedo,
Dividindo as aventuras, as risadas e os medos.
E quando a mãe chamava: “Vai ali buscar pra mim”,
A vontade era dizer não, mas a história não terminava assim.
Chamava a molecada: “Vambora, bora descer!”
Mesmo sem querer ir, já queria se aventurar e correr.
Era trilho de barro, chuva forte no chão,
O morro ficava liso e começava a diversão.
Um escorregão pra cá, outro tombo pra lá,
Um caía no barro e os outros começavam a gargalhar.
Ninguém ligava pra roupa, ninguém ligava pro chão,
A sujeira era medalha de uma grande expedição.
Chegava em casa imundo, com barro até no cabelo,
Mas bastava olhar pra rua e esquecer qualquer conselho.
Porque a turma tava lá, esperando pra brincar,
E a infância era curta demais pra gente querer parar.
E a tarde ia embora sem ninguém perceber,
O sol se escondia e a gente ainda queria correr.
Só entrava pra casa quando a rua esvaziava,
Quando a mãe dos outros chamava, a nossa também chamava.
Amanhã tinha de novo, era sempre assim,
A mesma velha turma esperando por mim.
E eu nem imaginava que um dia, sem avisar,
Tudo aquilo seria saudade difícil de explicar.
Não foi uma infância fácil,
Mas foi feliz demais.
Eu não tive tudo que sonhava,
Mas tive momentos que não voltam jamais.
E se hoje escorre uma lágrima quando eu lembro daquele chão,
Não é tristeza, é felicidade batendo no coração.
Eu daria tudo nessa vida pra voltar uma vez,
Só pra ser criança de novo, nem que fosse por um mês.
Tinha pique-esconde, queimada e pique-bandeira,
Futebol até cansar, brincadeira a tarde inteira.
Carrinho de rolimã descendo sem freio pela rua,
Cada curva era uma história, cada queda era mais uma.
Às vezes saía escondido, só pra sentir a liberdade,
Com medo de tomar bronca, mas cheio de vontade.
O medo do flagrante nunca foi maior que a emoção,
Porque brincar naquela rua era viver uma sensação.
E quando alguém caía, ninguém pensava em reclamar,
Primeiro vinha a gargalhada, depois alguém ia ajudar.
Era simples, era puro, era tudo de verdade,
Uma turma reunida transformava rua em felicidade.
Não tinha celular pra prender nossa atenção,
Era bola, bicicleta, carrinho e imaginação.
A gente inventava o mundo com aquilo que tinha,
E talvez por isso aquela época ainda seja tão minha.
Hoje eu paro e penso nas broncas que levei,
Nas coisas que eu aprontei, nas vezes que eu me escondi.
Penso na voz da minha mãe chamando pra entrar,
E na minha avó esperando a gente finalmente voltar.
Penso naquele barro, naquela chuva, naquele morro,
Nos tombos que doíam, mas que hoje eu lembro e sorrio.
Penso na velha turma espalhada pela vida,
Cada um seguindo um caminho, cada lembrança guardada.
O tempo foi passando sem pedir autorização,
Levou alguns amigos pra longe, levou momentos na mão.
E levou minha avó pra um lugar que eu não posso alcançar,
Mas deixou tudo que ela foi dentro de mim pra eternizar.
E quando a saudade aperta e eu volto pra aquele lugar,
Fecho os olhos por um instante e consigo enxergar:
Minha irmã, minha turma, a rua e aquele chão,
E minha avó fazendo parte daquela recordação.
Se eu pudesse voltar, não queria riqueza,
Não queria brinquedo caro, nem viver outra realidade.
Eu queria o barro, os tombos e a velha brincadeira,
Queria aquela rua cheia de criança outra vez inteira.
Queria ouvir as broncas que eu reclamava de escutar,
Queria ouvir minha avó mandando a gente entrar.
Queria mais uma tarde antes do sol se esconder,
Só pra viver de novo o que eu não sabia que ia perder.
Não foi uma infância fácil,
Mas foi feliz demais.
Eu não tive tudo que sonhava,
Mas tive momentos que não voltam jamais.
E se hoje escorre uma lágrima quando eu lembro daquele chão,
Não é tristeza, é felicidade batendo no coração.
Eu daria tudo nessa vida pra voltar uma vez,
Só pra ser criança de novo, nem que fosse por um mês.
Não foi perfeita, mas foi minha,
E eu guardo tudo que ela me ensinou.
A vida levou aquela turma,
Mas nenhuma distância levou o amor.
Hoje eu entendo o que aquele menino não sabia:
A melhor parte da infância não era o que ele tinha.
Era quem estava ao lado quando o dia terminava.
Era minha irmã...
Era a velha turma...
Era minha mãe...
Era minha avó...
E talvez seja por isso que, quando eu lembro daquele tempo,
A saudade vem...
Mas junto dela vem um sorriso.
Porque eu não tive a infância mais fácil do mundo.
Eu tive uma infância feliz...