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03 - A Gente Queria Crescer - LopesBriito

LopesBriito

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03 - A Gente Queria Crescer - LopesBriito

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LopesBriito
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Musica Autoral de LopesBriito, Álbum Passado, Presente e Futuro - Nova Friburgo, RJ. Hoje eu deito, apago a luz, fico em silêncio, E a mente viaja longe, atravessa o tempo. Volto pra onde eu cresci, sem precisar sair, Fecho os olhos por segundos e consigo sentir. Jardim dos Reis... Nova Suíça... Rua de barro, infância e correria, E parece que o tempo não levou aqueles dias. Porque às vezes eu volto, Volto sem perceber, E por alguns instantes Eu sou criança outra vez. Lembro da rua de barro, da bola rolando no chão, Pique-esconde, queimada, bicicleta na mão. Enquanto os mais velhos soltavam pipa lá no céu, A gente imaginava como seria ser adulto um dia. A gente fazia planos sem saber o que viria, Imaginava o futuro enquanto vivia o dia. Pensava em como seria quando a gente crescesse, Sem perceber que aquela fase era tudo que a gente queria ter. Tinha pouco, mas tinha rua, tinha amigo, tinha história, Cada tarde era uma batalha que terminava em vitória. Joelho ralado, roupa suja, ninguém queria parar, Porque enquanto tinha luz do dia ainda dava pra brincar. E quando a mãe chamava: "Já pra casa!" A gente fingia que não ouvia, Só mais cinco minutos... E esses cinco viravam quase a noite inteira. A gente queria crescer, Sem saber que crescer dói. Queria conhecer o mundo, Sem saber o que o tempo destrói. Enquanto imaginava o amanhã, A vida acontecia ali. E hoje eu daria tudo Pra voltar e viver mais um dia. E quando eu lembro do Jardim dos Reis, Eu volto no tempo outra vez. Fecho os olhos e posso enxergar Aquela turma correndo pelo mesmo lugar. O tempo passou, mas não levou de mim As histórias que ficaram guardadas assim. Se a saudade apertar, eu sei pra onde ir: Eu volto em pensamento e consigo reviver. Como se fosse o último dia, Como se fosse a última vez, Eu volto pra infância No Jardim dos Reis. Quando a chuva caía, mudava toda a missão, Minha mãe mandava descer o morro pra fazer uma compra então. "Vai no Bar do Didi buscar isso pra mim." E a gente descia sorrindo, porque a aventura começava ali. Ia minha irmã Aline, Bia e Leandro na tropa, E às vezes a Luana vinha atrás, completando a nossa escolta. Rua molhada, barro, descida e união, Ninguém precisava de muito pra viver uma expedição. Se alguém caía no barro, era gargalhada geral, Depois todo mundo ajudava, porque amizade era leal. Podia estar cansado, com vontade de parar, Mas se a turma estivesse junta, ninguém queria voltar. Era simples... Mas era nosso. E talvez seja por isso que ainda mora em mim, Porque algumas das melhores lembranças Nasceram justamente quando a vida era assim. Depois chegou o asfalto, mudou o cenário da rua, E o carrinho de rolimã ganhou nossa aventura. Descida, velocidade, coragem pra acelerar, E cada tombo deixava uma cicatriz pra recordar. As marcas ficaram na pele, mas também na memória, Cada cicatriz daquele tempo carrega uma história. Lembro da minha avó gritando: "Já pra dentro!" E a gente escondido querendo mais um momento. Às vezes saía pra rua sem ela nem saber, Porque criança quando quer brincar sempre encontra um jeito de fazer. E no fim de ano a madrugada parecia não ter fim, A turma reunida, contando histórias, rindo assim. Conversa jogada fora, mas que valia mais que ouro, Porque ninguém sabia que um dia sentiria saudade de tudo isso. E talvez essa seja a parte que mais dói... A gente nunca percebe quando é a última vez. A última corrida, A última brincadeira, A última noite reunida na rua, A última conversa daquela maneira. Ninguém avisou: "Guarda esse momento." Ninguém disse: "Essa vai ser a última vez." A gente só foi vivendo... E o tempo foi passando. Não tivemos uma infância fácil, Mas tivemos a melhor que podíamos ter. Talvez não tivéssemos tudo, Mas tínhamos motivos pra agradecer. Tivemos pessoas especiais cruzando nosso caminho, Algumas seguiram longe, outras ficaram pertinho. E algumas permanecem até hoje na minha vida, Provando que certas amizades o tempo não termina. Hoje eu sou adulto, mas quando a saudade vem, Eu fecho os olhos e volto pra lá também. Volto pra rua, pro barro, pra correria, Volto pra casa ouvindo a voz da minha avó naquele dia. Por alguns segundos eu esqueço quem eu sou, Esqueço quanto tempo passou. Porque memória não precisa de estrada, Ela sabe exatamente onde a gente deixou a infância guardada. Jardim dos Reis... Nova Suíça... Um pedaço de mim ainda mora naquele lugar. E toda vez que eu lembro, Eu consigo voltar. E quando eu lembro do Jardim dos Reis, Eu volto no tempo outra vez. Fecho os olhos e posso enxergar Aquela turma correndo pelo mesmo lugar. O tempo passou, mas não levou de mim As histórias que ficaram guardadas assim. Se a saudade apertar, eu sei pra onde ir: Eu volto em pensamento e consigo reviver. Como se fosse o último dia, Como se fosse a última vez, Eu volto pra infância No Jardim dos Reis. A gente passou a infância querendo crescer, E cresceu sem perceber que queria voltar.