DIABETES TIPO 1: o que é, sintomas e tratamento
Dra Juliana Lee
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DIABETES TIPO 1: o que é, sintomas e tratamento
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O diabetes tipo 1 é decorrente da falta de insulina.
O corpo faz uma reação autoimune contra as células produtoras de insulina, ou seja, o próprio corpo reconhece estas células como estranhas e começa a destruí-las. Sem insulina, a célula não recebe glicose e o sangue fica cheio de glicose, a hiperglicemia.
Os estudos mostram um aumento na incidência de diabetes tipo 1 e nós também temos observado isso na prática. Há uma predisposição genética conhecida, porém os fatores ambientais ainda são incertos.
Bom, a título de curiosidade, o termo diabetes, do grego, significa “passar através de um sifão” pois uma das características clássicas é urinar em grande quantidade.
E mellitus, do latim, significa “doce como mel”. Um médico do século XVII provou a urina de um paciente e disse que ela era doce como mel.
Os sintomas clássicos do diabetes são:
Poliúria: que é urinar muito, acontece pois quando a glicemia atinge mais de 180, começa a haver perda de glicose pelo rim.
Polidipsia: que é ter muita sede, tomar muita água, acontece pois o sangue está cheio de glicose, concentrado, e também porque está urinando muito.
Polifagia: que é ter muita fome, pois as células não recebem glicose, o corpo interpreta como falta energia.
Perda de peso: ocorre porque o corpo começa um catabolismo intenso, ou seja, começa a lançar mão de suas reservas como gordura e proteína como fonte de energia. E também há perda de peso pela desidratação.
Este quadro pode evoluir para cetoacidose diabética. Com a quebra de gorduras há a produção de corpos cetônicos, que deixam o sangue mais ácido. É um quadro grave que pode se apresentar com desidratação, respiração mais rápida e profunda, hálito cetônico, que é descrito como semelhante ao cheiro de maçã podre, náuseas, vômitos, dor abdominal e diminuição da consciência. O tratamento deve ser iniciado com urgência.
E outro quadro muito comum associado ao diabetes é a candidíase. Em crianças que apresentam candidíase de repetição, lembrar de medir a glicemia.
O tratamento do diabetes tipo 1 consiste em:
Insulina com automonitorização da glicemia.
Medidas de estilo de vida, com orientação alimentar e atividade física.
E muitas vezes apoio psicossocial.
Como é feito o tratamento com insulinas?
Nós temos uma secreção basal de insulina e quando comemos, uma secreção em quantidade maior, que chamamos de bolus.
A insulina basal deve manter os níveis de glicose estáveis entre as refeições e quando dormimos.
Já o bolus de insulina é liberado quando nossa glicemia aumenta em uma refeição.
Portanto, para o tratamento nós precisamos de dois tipos de insulina, uma que faça o papel da insulina basal e a insulina em bolus, para as refeições. Hoje nós temos os análogos de insulina, que têm um perfil de ação mais próximo do fisiológico, ou seja, imitam melhor a nossa secreção de insulina. E eles podem ser aplicados com canetas, tornando as aplicações mais fáceis e confortáveis.
Mas por que não posso tomar um comprimido de insulina?
A insulina é degradada pelo nosso suco digestivo, perdendo sua ação.
Portanto, ela é aplicada por via subcutânea, os locais de aplicação são os seguintes:
Braços: face posterior, três a quatro dedos abaixo da axila e acima do cotovelo (levando em consideração os dedos do paciente).
Nádegas: quadrante superior lateral externo.
Coxas: nas faces anterior e lateral externa superior, três a quatro dedos abaixo da virilha e acima do joelho.
Abdome: regiões laterais direita e esquerda, distante três a quatro dedos da cicatriz umbilical.
É importante fazer um rodízio dos locais de aplicação para evitar lipodistrofia, uma alteração do tecido subcutâneo que interfere na absorção de insulina. Você pode dividir as regiões em pequenas áreas e aplicar com 1cm de distância entre uma aplicação e outra.
Recomenda-se, para múltiplas aplicações, fixar uma região para cada horário e alternar entre os pontos de aplicação da mesma região.
Atualmente é indicado o uso de agulhas mais curtas como melhor opção para todos. Agulhas de 4 e 5mm, que são disponíveis para aplicação com caneta. Neste caso, não é necessário fazer prega para aplicação, a não ser em menores de 6 anos ou quando a criança for muito magra. A aplicação deve ser num ângulo de 90 graus.
Após a aplicação com caneta de insulina, aguarde 10 segundos para retirar a agulha, para garantir que toda dose tenha sido injetada.
É muito importante que o paciente e a família sejam instruídos e estudem sobre o diabetes, devem saber reconhecer estados de hiperglicemia e hipoglicemia e saber como proceder nestas situações.
O diagnóstico de diabetes tipo 1 tem um impacto muito grande em toda a família, mas hoje nós dispomos de insulinas e dispositivos que nos permitem fazer um controle muito mais adequado e junto com a educação, nós temos mais condições de alcançar um bom controle, com qualidade de vida e prevenindo as complicações! E sim, a vida pode ser doce mesmo com diabetes!