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Neurodivergência na vida universitária - TDAH

Alfredo Oliva

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Neurodivergência na vida universitária - TDAH

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Alfredo Oliva
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A vida universitária pode ser o momento em que muitas pessoas descobrem a peculiaridade, pois as estruturas externas de suporte (pais, horários rígidos da escola) são removidas, exigindo uma autonomia para a qual o cérebro com TDAH não está naturalmente preparado. 1. Além da agitação motora O TDAH é uma neurodivergência que afeta o desenvolvimento do sistema de autocontrole do cérebro. No ambiente universitário, pode se manifestar em hiperatividade e ou impulsividade. A “desatenção” no TDAH não é a falta de atenção, mas sim a dificuldade em hierarquizar estímulos. O/a estudante não consegue filtrar o que é importante (a fala do/a professor/a) do que é irrelevante (o barulho do ar-condicionado ou um pensamento intrusivo). No/a adulto universitário, a hiperatividade costuma deixar de ser motora (correr e pular) para se tornar mental. Há um fluxo ininterrupto de pensamentos que gera uma sensação constante de inquietude e urgência. 2. Funções executivas A base do TDAH reside em um funcionamento atípico do córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções executivas, o maestro do cérebro. Existe uma hipofunção do sistema dopaminérgico (sistema de recompensas) e o cérebro tem dificuldade em sentir satisfação com metas de longo prazo (como o diploma), precisando de estímulos de alta intensidade ou novidade constante para manter o foco. A memória de trabalho é limitada, comprometendo a capacidade de reter e manipular informações temporariamente. Ao ler um parágrafo complexo, o/a estudante pode esquecer o início do texto antes de chegar ao fim, exigindo releituras constantes. A desregulação emocional é central. A frustração com falhas acadêmicas é sentida de forma muito mais intensa, podendo levar ao abandono de disciplinas por puro desânimo ou ansiedade. 3. Desafios da vida universitária A procrastinação paralisante é comum, muitas vezes alimentada pela ansiedade de não saber por onde começar um projeto extenso. O ambiente das salas de aulas pode ser hostil: ruídos paralelos, notificações no celular ou até o brilho das luzes podem atuar como distratores severos. Há o fenômeno da “desorientação temporal", onde o/a estudante subestima drasticamente o tempo necessário para concluir uma entrega. 4. Estratégias educacionais Quebra de grandes projetos em micro tarefas palatáveis reduz a sobrecarga cognitiva. Tempo adicional em provas, ambientes com menos distrações para avaliações e a permissão para gravar aulas.