COMO CANCELAR COTA DE RESORT DE MULTIPROPRIEDADE #resort #cotas
Manuela Ferreira-Advogada Imobiliário
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COMO CANCELAR COTA DE RESORT DE MULTIPROPRIEDADE #resort #cotas
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Como fazer o cancelamento de cota de resort ou multipropriedade no Brasil?
Se você adquiriu uma cota de resort no Brasil e deseja cancelar o contrato, é importante saber que há diversas possibilidades de rescindir o acordo sem a necessidade de pagar multas abusivas. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) oferece garantias legais ao consumidor.
Existem três situações mais comuns em que o cancelamento pode ser feito sem custos adicionais:
Exercício do direito de arrependimento dentro do prazo de 7 dias;
Cancelamento devido a atraso na entrega do empreendimento;
Rescisão contratual motivada por propaganda enganosa.
1. Direito de arrependimento em até 7 dias
De acordo com a legislação, o consumidor que assinou o contrato fora da sede da empresa ou em estandes de vendas tem o direito de desistir da compra no prazo de 7 dias, sem a obrigação de justificar o motivo. Durante esse período, é possível solicitar o cancelamento e a devolução integral de todos os valores pagos.
Embora algumas empresas aleguem que o contrato foi assinado em um local que inviabiliza esse direito, como no próprio hotel ou na sede da empresa, essa justificativa não se sustenta. Caso a empresa se recuse a cancelar, é possível recorrer à Justiça, que reconhece o direito de arrependimento, especialmente em casos onde a venda ocorreu sob forte pressão emocional ou persuasão.
2. Cancelamento por atraso na entrega do empreendimento
Nos contratos de multipropriedade, é comum que o imóvel ainda esteja em construção ou em fase de planejamento. Nesses casos, o contrato geralmente estipula um prazo para a conclusão da obra.
Se o prazo previsto ultrapassar 180 dias, o consumidor tem o direito de cancelar o contrato e exigir a devolução total dos valores pagos, conforme a Lei do Distrato e o Tema nº 971 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além disso, também é possível solicitar uma indenização pelo descumprimento contratual.
Quando a empresa se recusa a resolver a questão de forma amigável, o consumidor pode entrar com uma ação judicial, que costuma resultar em decisões favoráveis.
3. Rescisão por propaganda enganosa
Outro motivo frequente para o cancelamento é a prática de propaganda enganosa. Muitas vezes, as empresas apresentam vantagens que não correspondem à realidade ou omitem informações cruciais. Isso é considerado uma infração ao Código de Defesa do Consumidor e pode justificar a rescisão do contrato sem multas.
Situações que podem configurar propaganda enganosa incluem:
Sistema Pool: As empresas promovem o aluguel da cota como algo simples e lucrativo, mas omitem os riscos e dificuldades operacionais, além de os ganhos serem, em geral, insignificantes.
Pagamento mínimo para uso: Muitos contratos exigem o pagamento de uma porcentagem do valor do empreendimento para que o consumidor possa usufruir da cota, algo que normalmente não é informado no ato da venda.
Restrição de calendário: As cotas costumam ter limitações de uso, como períodos que não coincidem com a alta temporada ou feriados, e isso muitas vezes não é esclarecido durante a negociação.
Se for necessário, é possível ingressar com uma ação judicial para provar a ocorrência de propaganda enganosa e obter a rescisão contratual.
Outras possibilidades de cancelamento sem multas abusivas
Mesmo que o consumidor não se encaixe em nenhuma das situações mencionadas, ainda é possível cancelar o contrato, especialmente quando há cobranças de taxas e multas desproporcionais.
Na Justiça, o consumidor pode solicitar:
Redução ou anulação de multas administrativas, que geralmente variam entre 25% e 35% do valor total do contrato;
Cancelamento da taxa de corretagem, caso não tenha havido intermediário na negociação;
Exclusão de cobranças como taxa de condomínio e taxa de fruição (referente ao uso do imóvel).
Além disso, em contratos com patrimônio de afetação, as empresas podem reter até 50% dos valores pagos. Apesar de essa retenção ser permitida em determinados casos, ela pode ser contestada quando o empreendimento já está concluído, pois, nesses casos, a cobrança pode ser considerada excessiva.
Cancelamento de contratos internacionais
Quando o contrato é assinado fora do Brasil, o cancelamento pode ser mais complexo, mas ainda há caminhos legais. Em geral, contratos internacionais oferecem um prazo de 5 a 10 dias para arrependimento. Após esse período, o vínculo contratual pode ser vitalício, dificultando a rescisão.
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