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Errei. Talvez esse lugar não seja pra mim! (Felipe Seabra)

Felipe Seabra

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Errei. Talvez esse lugar não seja pra mim! (Felipe Seabra)

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Felipe Seabra
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Ser autoconsciente pode parecer uma virtude, mas existe um ponto em que perceber demais a si mesmo deixa de ser reflexão e se transforma em ruminação, autocomiseração e julgamento. Um erro já não é apenas um erro: ele começa a responder perguntas como “quem sou eu?”, “será que este lugar é para mim?” ou “por que eu sempre faço isso?”. É assim que alguém que procura entender como parar de pensar demais sobre si mesmo pode acabar descobrindo que “não é porque penso algo, que aquilo deve ser empoderado como juiz”. Moisés viveu algo semelhante quando Deus o chamou: conhecia sua história, seus limites e sua dificuldade para falar, e por isso chegou à conclusão de que seria melhor Deus enviar outra pessoa. Quanto mais olhava para o que lhe faltava, mais se colocava para fora do lugar para o qual estava sendo chamado. Existe, porém, o outro extremo: a “soberba da ignorância”, aquela confiança de quem simplesmente vai lá e faz, sem perceber muito bem as próprias limitações. Às vezes essas pessoas ocupam espaços, lideram, trabalham e seguem vivendo enquanto os muito autoconscientes continuam se perguntando se realmente pertencem ali. Mas essa ignorância de si também cobra um preço: “quem não se enxerga, não corrige seu caminho”. Os fariseus aparecem como exemplo de pessoas que acreditavam enxergar, mas não conseguiam reconhecer a própria condição e, justamente por isso, rejeitavam aquilo que poderia transformá-las. A vantagem da autoconsciência está aí: quando bem direcionada, ela permite reconhecer erros, limitações e necessidades de mudança. O problema não é perceber que algo precisa melhorar; é transformar essa percepção em autopunição, paralisia e desistência. Por isso, lidar com excesso de autocobrança, culpa e pensamentos que dizem “eu não pertenço” exige retirar a própria consciência do papel de tribunal. Paulo afirma: “nem eu julgo a mim mesmo; o Senhor é quem me julga”, mostrando que nem os rótulos externos nem nossas avaliações internas possuem autoridade final para determinar nosso lugar. Mesmo diante de erros reais, a consciência não precisa concluir: “eu errei, logo, eu não sou apto”. Paulo carregava um passado que não podia reescrever, mas respondeu a ele dizendo: “pela graça de Deus, sou o que sou”. A graça não apagou a responsabilidade; produziu serviço, dedicação, crescimento e transformação. E essa mesma consciência das próprias falhas pode gerar outra virtude: ao perceber a “trava no meu olho”, deixo também de ocupar o lugar de juiz da vida dos outros e aprendo a agir com mais misericórdia comigo e com o próximo. Doação pelo PIX: pr.felipeseabra@gmail.com