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Picões, aldeia perdida, submersa pelas silvas - Portugal

Lugares Encantados em Portugal

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Picões, aldeia perdida, submersa pelas silvas - Portugal

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A nossa visita a esta pequena aldeia de Picões completamente esquecida, começa na pequena localidade de Lampaça, junto da N103 onde o video começa por mostrar a primitiva torre medieval. Torre, essa que na sua fase inicial de sua história, cumpria o propósito de ser uma atalaia, hoje transformada em torre sineira da Igreja Matriz de Lampaça. Estas localidades ambas pertencentes ao distrito de Vila Real, concelho de Valpaços, freguesia de Bouçoães. A Aldeia abandonada de Picões situada no concelho de Valpaços, em tempos parte do morgadio de Vilartão, é uma antiga povoação com ocupação desde o período romano, do qual remonta a ponte romana de Picões que atualmente encontra-se submersa pela barragem do Rabaçal. O desenvolvimento desta pequena localidade esquecida por todos, foi-se desenvolvendo e prosperando, junto de uma antiga estrada romana, cujos vestígios ainda são bem visíveis, apesar de se encontrar completamente encoberta de vegetação, assim como se encontra também a própria aldeia. Aceder a esta localidade abandonada de Picões, não é tarefa fácil, o caminho de acesso encontra-se bastante degradado e com muito mato no seu percurso. A pequena aldeia viu desaparecer o seu ultimo habitante há cerca de 50 a 60 anos. Apesar disso, há cerca de 15 anos, ainda era usada para alguma atividade agrícola como a vinha ou a pastorícia, contudo os difíceis acessos contribuíram para o seu derradeiro e completo abandono. Junto da aldeia ainda mais ao menos conservada, é possível admirar a belíssima Capela de Santo António. A capela da invocação a este santo, trata-se de uma das joias arquitectónicas mais extraordinárias do concelho” esquecida e abandonada, ficando a escassos cem metros do núcleo central da aldeia abandonada de Picões. esta raridade da arquitetura religiosa é um monumento de construção barroca datada do século XVIII, integrada nos domínios do extinto morgadio de Vilartão e mandada edificar por um dos respectivos titulares, a cuja família pertenceu o ilustre transmontano Álvaro de Morais Soares, coronel do exército português que se notabilizou na Guerra Peninsular, juntamente com seu irmão Eusébio de Morais Soares e veio a falecer em combate nos arredores de Madrid em Agosto de 1812, deixando descendência. No que respeita à sua mais remota construção atesta-o uma destacada referência da parte do Abade de Bouçoães, António Xavier Fernandes nas Memórias Paroquiais de 1758 nos seguintes termos: "Tem quinta de Picões uma capela de cantaria construída à moderna com a invocação de Santo António, mandada fazer pelo Sargento-mor de Cavalaria António de Sá Pereira do Lago [de Morais Soares], da Casa dos Morgados de Vilartão, o qual a deu aos moradores da dita quinta. Um facto; Magoa-me ver estas verdadeiras joias da nossa arquitetura nestas condições deploráveis de abandono; contudo, nestas coisas de prever o futuro; pressinto um péssimo presságio, que poderá acontecer a qualquer instante, derivado á falta de limpeza e ao excesso de vegetação ao redor desta capela de Sto. António. Sem dúvida que a qualquer instante pode deflagrar a desgraça de um incêndio florestal, e ai esta pequena preciosidade, desaparece num abrir e fechar de olhos. Pedia encarecidamente a quem de direito; "por favor hajam em conformidade para a salvaguarda destes tesouros; que ao menos fizessem a limpeza ao redor desta capela, para que males piores não viessem acontecer". "Naturalmente entende-se que as pessoas se desloquem, ou imigrem á procura de melhores condições de vida, isso faz com que as pessoas abandonem a suas casas, os seus amigos, suas ruas e até suas raízes, e se desloquem para outros locais que proporcionem melhores oportunidades de vida. O despovoamento afeta várias zonas do país, mas é sobretudo o interior de Portugal que sofre mais com esta realidade. A migração acontece regularmente, seja para a sede de concelho, seja para cidades maiores, seja para o estrangeiro. Este despovoamento surge pela necessidade dos mais novos procurarem uma vida melhor, levando a que muitas aldeias fiquem apenas com os habitantes mais velhos. A morte dos poucos resistentes leva a que as aldeias fiquem abandonadas deixando as aldeias à mercê da Natureza, que tende a ser dominante sobre elas reconquistando aos humanos seu espaço natural. Contudo, esse domínio até pode torná-las mais belas, pois de certa forma deixou estes espaços congelados no tempo, contribuindo para a preservação de memórias que de outra forma se perderiam para sempre.