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Histórias de Bruxas

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Histórias de Bruxas

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Histórias de Bruxas Manuel Lopes, 102 anos, natural da Bernardia (Cumeada, Sertã). Relato registado em abril de 2025. As histórias de bruxas fazem parte de um universo oral presente em todo o país. Misturam experiências pessoais, aviso moral e crença popular em práticas de feitiçaria. Estas narrativas, geralmente passadas à noite ou em locais considerados perigosos, relatam encontros com o sobrenatural, ações maléficas atribuídas a bruxas ou seres diabólicos, e a vulnerabilidade das pessoas perante estas forças. Nesta história, Manuel Lopes conta dois episódios distintos: no primeiro, um rapaz é apanhado pelas bruxas e arrastado violentamente pelos ares; no segundo, um homem recolhe um gato perdido junto a um ribeiro de má fama, mas ao levá-lo para casa, descobre que o animal é, na verdade, uma bruxa disfarçada. Histórias de Bruxas As bruxas? Tá, bem tá! Olhe, eu tinha… tinha uma irmã (…), namorava um rapaz. E é essa coisa de… vinha aí às vezes à noite, marchava algures de noite, não é? E as bruxas apanharam-no, levam-no à ponta dos pinheiros. Para baixo e para cima, para cima e para baixo. Tal não é a força do diabo. Levavam-no à ponta dos pinheiros. É verdade. Andaram-no matando naquela altura, também. Isto, com o diabo ninguém se meta. Com o diabo... mesmo. Mesmo as bruxas fazem mal às pessoas, não é? Até um fruto, se a gente tiver aí… um fruto ou um bocado de couve, um repolho ou coisa assim (…). Aquela gente tem aquela coisa… um fulano come aquilo e fica também atordoado. Fica também atordoado. Aquilo…Deus me livre home. Olhe uma vez, … havia um senhor que também andava a namorar uma mulher. E enfim, depois, passava lá num ribeiro. E aquele ribeiro também tinha má fama, não é? Passou lá no ribeiro e estava lá um gato a miar. Um gato assim, a miar: Miau, miau…miauuu. E enfim, depois ele teve pena do gato. Teve pena do gato, e levou o gato para casa. E o gato ia bem descansadinho para casa. Ao fim, depois, (…) o gato estava frio, tinha aquecido o gato. E ele atirou um pulo, foi para uma janela: “CuCuu, bem que eu te levo no mê cú!” E ela passou-se — a bruxa. “CuCuu, bem que eu te levo no mê cú!” Levou-o assim no braço, coitadinho, coitadinho. Chegou a casa aqueceu: “CuCuu, bem que eu te levo no mê cú!”