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Por que o agronegócio esconde o Corredor Bioceânico?

Por trás do m²

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Por que o agronegócio esconde o Corredor Bioceânico?

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Por trás do m²
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O Brasil está construindo e financiando uma rota monumental, idealizada em 1965 pelo economista Celso Furtado, para ligar o Centro-Oeste brasileiro diretamente ao Oceano Pacífico. A obra central é uma ponte estaiada de 1.294 metros entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, com orçamento entre 424 e 472 milhões de reais bancado inteiramente pelo governo federal e pela Itaipu Binacional. Para viabilizar a totalidade do corredor de 2.400 quilômetros, o Brasil articulou dez bilhões de dólares em financiamentos para a infraestrutura dos países vizinhos através de bancos como BNDES, CAF, BID e Fonplata. Do outro lado do continente, a China se antecipou e já opera o Porto de Chancay no litoral do Peru, consolidando sua estratégia da Nova Rota da Seda para garantir o abastecimento de minerais e alimentos para sua população. A rota sul-americana, no entanto, ainda enfrenta gargalos críticos, como 700 quilômetros na Argentina sem cronograma fechado de pavimentação e a difícil travessia dos Andes no lado peruano. Mesmo sem a conclusão da obra, a especulação já transformou a região. O mercado imobiliário rural em Mato Grosso do Sul explodiu, com o hectare chegando a 108 mil reais em áreas de agricultura mecanizada entre Sidrolândia e Maracaju, onde uma única propriedade foi ofertada por 260 milhões de reais. Nos bastidores, as maiores tradings globais de commodities, como Cargill, Bunge e Amaggi, continuam adquirindo áreas portuárias tradicionais no Sul, investindo centenas de milhões em concessões em Paranaguá, garantindo o controle da infraestrutura independentemente de qual rota vença a corrida logística. A pressão recai sobre o meio ambiente, com pesquisadores alertando para o risco de drenagem e incêndios no Pantanal, além do impacto direto sobre o povo indígena Ayoreo no Chaco paraguaio.