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PASTOR ALERTA: EXISTE UMA REDE DE IGREJAS QUE COMPARTILHA FIÉIS COMO GADO PARA RITUAIS

Relatos Sombrios do Brasil

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PASTOR ALERTA: EXISTE UMA REDE DE IGREJAS QUE COMPARTILHA FIÉIS COMO GADO PARA RITUAIS

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Relatos Sombrios do Brasil
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Em 1986 eu cheguei em Rondônia num barraco de lona, com malária, sem um lote e sem um nome que alguém conhecesse. Treze anos depois eu tinha templo de alvenaria, caminhonete e meia hora de programa de rádio. Entre uma coisa e outra teve um acordo entre onze igrejas independentes, um talão de cartas de transferência com carimbo roxo, e uma linha de assentamento chamada L-0 que não existia em mapa nenhum, nem na prefeitura, nem no cartório. Eu não assinei nada com sangue. Não teve altar, não teve círculo no chão, não teve ninguém de capa preta. Teve caneta. Eu fui assinando carta por carta, achando que era papelada de igreja, e quando eu fui conferir os canhotos eu tinha oitenta e três nomes marcados com uma letra que não levava a lugar nenhum. Gente que tinha chegado de fora, que morava sozinha, que tinha família a dois mil quilômetros de distância e sem telefone. Gente que ninguém ia procurar. E a lista de quem se encaixava nesse perfil quem entregava todo mês, de próprio punho, era eu. Esse relato é o que aconteceu depois: a noite em que eu voltei no pátio de serraria desativado e encontrei um homem de manga comprida em quarenta graus, contando gente com um lápis de carpinteiro atrás da orelha. O que a minha esposa guardou calada por treze anos sem eu nunca desconfiar. O canhoto que eu achei no velório do diácono, com o nome do meu filho escrito a lápis e a minha assinatura já lançada embaixo. E a cozinha de fazenda em Machadinho onde eu ajoelhei no chão de cimento e gritei o nome de uma mulher três vezes até ela largar a colher. Eu perdi a igreja, o carro, a casa e o nome. Dormi no chão de uma rodoviária com um caderno dentro da camisa. E é por isso que todo domingo, num barracão de roça, eu leio oitenta e três nomes em voz alta na frente de vinte e poucas pessoas. Se você for até o fim, eu te peço uma coisa só, e não é dinheiro nem oração: pensa em quanto tempo levaria até alguém dar sua falta na sua igreja.