O que você deve ELIMINAR em silêncio da sua VIDA | TAOÍSMO
Diário Taoista
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O que você deve ELIMINAR em silêncio da sua VIDA | TAOÍSMO
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Existe uma diferença estranha entre as coisas que você tirou da sua vida e contou para alguém, e as coisas que você tirou e não contou para ninguém. Uma parte das primeiras voltou. Boa parte das segundas está fora até hoje, sem esforço, a ponto de você quase ter esquecido que um dia esteve dentro.
Neste vídeo do Diário Taoísta a gente vai atrás do motivo, e ele não tem nada a ver com força de vontade.
O capítulo cinquenta e seis do Tao Te Ching começa com um provérbio que todo mundo conhece e quase ninguém termina de ler. Depois da primeira linha vem uma lista de instruções, e um dos comentadores clássicos do livro, Heshang Gong, o velho da beira do rio, diz exatamente o que são as duas coisas que o texto manda fechar. As duas ficam no seu rosto. O capítulo cinquenta e dois traz a mesma instrução, com um aviso mais duro sobre o que acontece com quem deixa a porta aberta.
A história do meio é japonesa. Numa certa manhã, o mestre de chá Sen no Rikyū cortou todas as ipomeias do próprio jardim antes de receber Toyotomi Hideyoshi, o homem que mandava no Japão. Hideyoshi atravessou a terra limpa desconfiado, e Rikyū não explicou nada. O relato está num livro escrito por Kusumi Soan e publicado em mil setecentos e um, cento e dez anos depois da morte de Rikyū — e eu digo isso no vídeo, junto com tudo o que a fonte não afirma e eu acrescentei para você enxergar a cena.
A medida moderna vem de quatro experimentos publicados em dois mil e nove na Psychological Science, por Peter Gollwitzer, das universidades de Nova York e de Konstanz, Paschal Sheeran, da Universidade de Sheffield, e Verena Michalski e Andrea Seifert, também de Konstanz. Quando a intenção de alguém era notada por outra pessoa, essa pessoa agia menos sobre ela. O detalhe honesto, que eu conto inteiro: o efeito só apareceu em quem levava aquilo a sério.
No fim, a resposta do título é específica, e talvez não seja a que você esperava: o que precisa ser eliminado em silêncio não é a coisa. É o aviso sobre a coisa.
Não é sobre cortar pessoas da sua vida, e não é sobre arrancar o que você sente. Nada disso sai por decisão. O que sai por decisão é arranjo — e, principalmente, o aviso sobre o arranjo.
O passo da semana está no fim do vídeo, e ele tem duas partes. A segunda é a difícil.
Se essa conversa fizer sentido, se inscreve no canal, que a gente caminha junto.
CAPÍTULOS
0:00 A Manhã em Que o Jardim Amanheceu Cortado
1:09 As Retiradas Que Você Anunciou
3:41 Por Que a Conta da Força de Vontade Não Fecha
4:25 Uma Teve Plateia, a Outra Não
6:09 O Olho e a Boca, Segundo Heshang Gong
8:17 Sen no Rikyū e as Ipomeias Cortadas
10:12 O Que a Fonte Diz e o Que Eu Acrescentei
11:02 A Ausência Que Muda o Sentido da Cena
12:31 O Fim Que Não Está no Vaso
13:20 Os Quatro Experimentos de Dois Mil e Nove
15:21 Os Treze Segundos de Quem Não Se Importava
16:26 Os Limites do Que Foi Medido
18:47 O Cargo Que Você Passa a Defender
20:07 Arranjo, Sentimento e o Aviso
21:09 O Passo da Semana, em Duas Partes
23:04 A Hora em Que Bate a Vontade de Contar
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