2 Timóteo 1.8-18: Sei em quem tenho crido
Príncipe da Paz
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No trecho anterior, Paulo, preso em Roma pela segunda vez e sabendo que vai morrer, lembrou a Timóteo tudo o que Deus já lhe deu: o chamado, a fé que habita nele, o dom recebido e o Espírito "de poder, de amor e de moderação" (v. 7). Agora vem o pedido que vinha sendo preparado. Ele começa com "Portanto" e se resume em duas ordens: não se envergonhar e participar dos sofrimentos a favor do evangelho. A pressão para se envergonhar era real. O evangelho anunciava um homem executado na cruz, o suplício dos escravos, e o seu mensageiro estava acorrentado como malfeitor (2.9), depois de uma primeira audiência em que ninguém ficou ao seu lado (4.16). Visitar um preso assim era identificar-se publicamente com um acusado do Estado. E Timóteo, em Éfeso, precisava decidir de que lado ficar.
Nestes onze versículos, Paulo mostra por que o crente não precisa se envergonhar do evangelho nem de quem sofre por ele: o Deus que nos salvou pela graça, sem obras, destruiu a morte na primeira vinda de Cristo e é poderoso para guardar o que lhe confiamos até o dia em que o Senhor voltar. A palavra "envergonhar" aparece três vezes no trecho, sempre em pessoas diferentes: Paulo pede a Timóteo que não se envergonhe (v. 8), diz que ele mesmo não se envergonha (v. 12) e conta de um irmão que "nunca se envergonhou das minhas algemas" (v. 16). O mesmo verbo aparece em outro lugar do Novo Testamento com um sujeito que surpreende: Jesus "não se envergonha de chamá-los de irmãos" (Hb 2.11). O crente que não se envergonha de Cristo está respondendo a um Senhor que não se envergonhou dele primeiro. É essa resposta que estes versículos ensinam.