Quando o talento vira violência contra a criança superdotada
Muito prazer, Ricardo.
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Quando o talento vira violência contra a criança superdotada
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O que acontece quando uma criança superdotada deixa de simplesmente ter uma capacidade extraordinária e passa a ocupar uma função para os adultos ao redor?
Neste vídeo eu parto de experiências minhas, ainda criança, para discutir uma questão que aparece na família, na escola, nas redes sociais, em competições e até em instituições especializadas em superdotação.
Quando o talento vira espetáculo?
Quando reconhecimento vira cobrança?
Quando incentivo vira expectativa?
Quando a capacidade deixa de pertencer à criança e começa a servir ao orgulho dos pais, ao prestígio da escola, à lógica da competição, ao algoritmo ou ao projeto de outra pessoa?
A conversa passa por perfeccionismo, comparação social, identidade, pressão acadêmica, consideração parental condicional, sharenting, Big Fish Little Pond Effect e estudos com crianças e adolescentes superdotados.
Também discuto uma ideia central: desenvolver potencial não é o problema. O problema começa quando a criança passa a sentir que precisa transformar capacidade em desempenho para continuar ocupando o lugar que os outros construíram para ela.
Uma criança pode ser excelente em alguma coisa e não querer competir.
Pode saber e não querer mostrar.
Pode ter talento e não querer transformar aquilo em projeto.
Pode perder.
Pode cansar.
Pode mudar de ideia.
Pode escolher uma vida comum.
Potencial não é dívida.
Capacidade não cria obrigação.
Reconhecimento não cria propriedade.
Uma capacidade extraordinária deveria ampliar as possibilidades de uma criança, não reduzir sua liberdade.
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