"Otário (Garufa)" - João Dias - disco 78rpm gravado em 1958 tocando no gramofone!
PKamargo
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"Otário (Garufa)" - João Dias - disco 78rpm gravado em 1958 tocando no gramofone!
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Compartilhando minha coleção de discos 78rpm tocados no gramofone.
Seleção de hoje:
"Otário (Garufa)"
Gênero: tango
Autores: Juan Antonio Collazo, Roberto Fontaina, V. Soliño, versão Moacyr Vieira
Interpretação: João Dias
Hoje apresentando o tango "Garufa" numa versão em português escrita por Moacyr Vieira, na interpretação de João Dias registrada em disco Copacabana em setembro de 1958.
Embora o tango seja o símbolo máximo de Buenos Aires, "Garufa" nasceu originalmente do outro lado do Rio da Prata, em Montevidéu, no Uruguai, em 1927. Ele foi criado por membros de uma famosa agremiação carnavalesca local chamada Troupe Ateniense (Roberto Fontaina, Víctor Soliño e Juan Antonio Collazo). A primeira gravação de "Garufa" foi feita pelo cantor uruguaio Alberto Vila em novembro de 1928, acompanhado apenas por violões.
Quando a música cruzou a fronteira e estourou na Argentina na voz de Rosita Quiroga (1928), a letra sofreu pequenas adaptações para trocar os nomes de bairros uruguaios (como Pocitos) por locais portenhos clássicos (como o famoso bairro La Boca ou a rua Corrientes). Curiosamente, o maior mito do tango, Carlos Gardel, nunca gravou "Garufa". A gravação mais famosa foi a registrada por Alberto Castillo em 1951.
No dialeto lunfardo (as gírias das ruas de Buenos Aires), "Garufa" significa farra, gandaia, boemia. A letra original é uma ironia fina sobre um sujeito que posa de trabalhador sério e recatado no bairro durante a semana, mas que na sexta-feira corre para as festas do centro para gastar o que não tem e se acabar na gandaia. A versão de Moacyr Vieira traduziu esse espírito perfeitamente sob o título de "Otário", o típico malandro que acha que está abafando, mas está sendo passado para trás pelo ritmo da noite.
"Otário (Garufa)"
No meio dos malandros sempre te encontras
E te julgam otário por um bacano
És mais pretensioso que esses pilantras
Que vivem de expedientes por todo o ano
Durante o dia inteiro tu dás um duro
E quando chega a noite és um Don Juan
Sapato bico fino e terno branco
Em casa se despede: "Até amanhã!"
Otário!
Puxa como és divertido
Otário!
Tu és um caso perdido
Boêmio
Dizem sempre que tu és
Pois às suas custas vivem
Todas as noites
A beber nos cabarés
Entras na boemia quando começa
E és para as mariposas o protetor
És capaz de dançar a Marselhesa,
O hino nacional, e o troubador
Com um café com leite
E uma empada
Rematas esta noite de bacanal
E ao voltar para casa
De madrugada
Ainda assim te julgas
O maioral!
Disco Copacabana 5933, matriz M-2264. Gravado em 1958.