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🦀 "De papo p'ro á" 🐟 Gastão Formenti - disco 78rpm gravado em 1931 tocando no gramofone!

PKamargo

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🦀 "De papo p'ro á" 🐟 Gastão Formenti - disco 78rpm gravado em 1931 tocando no gramofone!

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Compartilhando minha coleção de discos 78rpm tocados no gramofone. Seleção de hoje: "De papo p'ro á" Gênero: cateretê Autores: Joubert de Carvalho / Olegário Mariano Interpretação: Gastão Formenti com part. de Castro Barbosa Composto, gravado e lançado originalmente em outubro de 1931, este disco traz o cantor Gastão Formenti registrando a primeira versão definitiva e original de "De papo pro á", o clássico imortal de Joubert de Carvalho com letra do poeta Olegário Mariano. Se você escutar com atenção no gramofone, vai notar uma segunda voz fazendo um jogo de "pergunta e resposta" com Gastão Formenti na música, que não consta no selo do disco. Trata-se de ninguém menos que Castro Barbosa, outro gigante da era do rádio (famoso pela clássica marcha "O Teu Cabelo Não Nega"), participando anonimamente para dar a dinâmica de diálogo caipira. Em 1953, impulsionada pelo sucesso estrondoso de novas duplas caipiras como Cascatinha e Inhana (que estouraram com "Índia" e "Meu Primeiro Amor" entre 1952 e 1953), a RCA Victor fez uma varredura em seu arquivo de matrizes para reprensar em massa os seus maiores clássicos regionais da década de 1930. "De papo pro á" era o carro-chefe definitivo desse catálogo. O disco apresentado hoje é dessa reprensagem de 1953, produzida com a mesma matriz original de 1931 - tendo portanto o mesmo áudio. O fato de a gravação ter sido feita no calor da criação gerou um erro que permaneceu. Na empolgação da gravação original de 1931, Formenti errou a letra escrita por Olegário Mariano. No trecho que diz "Se ganho na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?", Formenti cantou "Se compro..." Anos depois, o pesquisador Paulo Tapajós notou que a frase gravada não fazia sentido lógico para a filosofia do caipira sossegado da música (afinal, quem compra precisa ter dinheiro e, portanto, precisa trabalhar). Quando questionado, Olegário confirmou que o verso original era "Se ganho...", mas o erro de Formenti em 1931 ficou tão perfeito no balanço que nunca mais ninguém corrigiu. E o 'rio de jereré' não existe. No vocabulário regional e de origem tupi (iereré), jereré é o nome de uma rede cônica de pescar, parecida com um puçá ou landuá, presa a um aro circular com uma vara longa. Quando o caipira canta "Pescando no rio, de jereré" significa literalmente: pescando no rio utilizando um jereré (a rede-puçá), o que reforça a preguiça genial do personagem. Pescar com o jereré exige pouquíssimo esforço: basta mergulhar a rede cônica na margem do rio e esperar o bicho entrar, reforçando o espírito de quem quer o máximo de sossego e o mínimo de trabalho. Para escancarar ainda mais que o cenário é uma grande fantasia de caipira mentiroso (e muito bem-humorado), a letra emenda: "Tem siri-patola que dá com o pé". Siri-patola é um crustáceo de água salgada (mangue/mar). Jamais existiria um siri desses em um rio de água doce no interior caipira! Olegário Mariano juntou propositalmente esses elementos para reforçar o estereótipo do matuto malandro, sossegado e contador de causos que prefere inventar um rio surreal cheio de siris fáceis de pegar com o pé a ter que se levantar e trabalhar. "De papo p'ro á" Não quero outra vida pescando no rio, de jereré (de jereré) Tem o peixe bom, tem siri patola que dá com o pé Não quero outra vida pescando no rio, de jereré (de jereré) Tem o peixe bom, tem siri patola que dá com o pé Quando no terreiro é noite de luar E vem a saudade me atormentar Eu me vingo dela tocando viola De papo pro á Se compro na feira feijão, rapadura, pra quê trabalhar? (pra quê trabalhar?) Eu gosto do rancho, e o homem não deve se amofinar Se compro na feira feijão, rapadura Pra quê trabalhar? (Pra quê trabalhar?) Eu gosto do rancho, e o homem não deve se amofinar Quando no terreiro faz noite de luar E vem a saudade me atormentar Eu me vingo dela tocando viola De papo pro á Disco RCA Victor 33469-A (Matriz 33469-A). Gravado em 1931, reprensado em 1953.