Kendra — Meu Novo Eu
Fernando Henrique
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Fernando Henrique
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Kendra — Meu Novo Eu
Depois de tantos dias, sem forças pra andar,
Manuele caiu, já sem rumo ou lugar.
Perto da aldeia, no fim do caminho,
Zaira a encontrou, desmaiada e sozinha.
A anciã levou-a ao acampamento,
deu-lhe abrigo, água e alimento.
Quando acordou, assustada, a tremer,
quis saber quem eram, quis se defender.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
gente que lhe deu tempo e espaço pra ficar.
Zaira explicou, com paciência e cuidado,
que ali ninguém queria vê-la amarrada.
Manuele escutava, ainda desconfiada,
mas já não enfrentava a noite sozinha e gelada.
Os dias passaram; o medo cedeu,
e um pouco de calma no peito nasceu.
Manuele queria ficar por ali,
sentia que, enfim, podia existir.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
gente que lhe deu tempo e espaço pra ficar.
Não tinha o sangue daquele lugar,
mas alma cigana no jeito de andar.
Chamaram-na catiça, parte do povo,
não por nascimento — por laço que é novo.
Havia espanhóis, gregos, egípcios também,
raízes distintas, mas unidos além.
Naquele acampamento, uma língua os unia;
Manuele a aprendeu, dia após dia.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
gente que lhe deu tempo e espaço pra ficar.
Dois anos correram; já sabia viver
entre as partidas e o amanhecer.
Vestia-se como os seus, seguia a jornada,
e a estrada não parecia tão desamparada.
Vieram mais anos, cresceram os laços,
novos caminhos, fogueiras e abraços.
A antiga Manuele, ferida e perdida,
encontrou naquele povo lugar para a vida.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
gente que lhe deu tempo e espaço pra ficar.
Zaira a chamou, com carinho e intenção;
Manuele se achegou, guardando a emoção.
A anciã lhe ofereceu um nome a levar,
um nome que a nova jornada iria marcar.
“De hoje em diante, Kendra”, Zaira lhe deu;
um nome que o povo, com afeto, acolheu.
Manuele ficou na lembrança e no olhar,
mas Kendra encontrou seu lugar pra chamar.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
gente que lhe deu tempo e espaço pra ficar.
Entre tendas, caminhos e vozes ao redor,
um povo a recebeu sem cobrar seu valor.
Manuele encontrou, depois de tanto vagar,
e sob o nome Kendra escolheu ficar.