31 - Camada de Ozono e Protocolo de Montreal (1980 – 1989) — 3 de 7
Manuel Duarte Pinheiro
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Manuel Duarte Pinheiro
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Este episódio percorre um dos casos mais bem documentados de risco ambiental global: a descoberta da destruição da camada de ozono e a resposta internacional que, em poucos anos, a transforma no primeiro grande sucesso da governação ambiental planetária.
A base científica remonta a 1974, quando Mario Molina e Sherwood Rowland descreveram o mecanismo catalítico pelo qual os clorofluorocarbonetos (CFC), libertados por aerossóis, frigoríficos e espumas, sobem à estratosfera, são fotolisados e libertam cloro, que destrói moléculas de ozono por reações catalíticas, antes de ser removido por outras reações. Sobre a Antártida, o fenómeno é amplificado por um mecanismo específico — o vórtice polar e as nuvens estratosféricas polares —, explicado pela investigação desenvolvida ao longo da década. A confirmação observacional chegou em 1985, quando cientistas britânicos detetaram uma quebra acentuada dos valores de ozono sobre o continente antártico, medidos em Unidades Dobson.
Os impactes, hoje bem quantificados, justificam a urgência da resposta: um modelo da agência ambiental norte-americana estima que a plena aplicação do Protocolo de Montreal evitará, entre as pessoas nascidas nos EUA de 1890 a 2100, cerca de 443 milhões de casos de cancro da pele, 2,3 milhões de mortes por essa doença e 63 milhões de casos de cataratas. O aumento da radiação ultravioleta também pode prejudicar culturas agrícolas, fitoplâncton e materiais expostos ao exterior; os efeitos concretos variam conforme a espécie, o material e a intensidade de exposição.
A resposta é excecional pela sua rapidez e alcance: a Convenção de Viena (1985) estabelece o quadro de cooperação internacional, e o Protocolo de Montreal (1987, em vigor em 1989) impõe a redução progressiva e, depois, a eliminação das substâncias que destroem o ozono, mais tarde complementado pela Emenda de Kigali (2016), que visa reduzir os hidrofluorcarbonetos pelo seu efeito climático, embora estes não sejam substâncias destruidoras do ozono. É, até hoje, um acordo com ratificação universal —, e representa uma mudança de "terceira ordem": não apenas se corrige um problema, mas redefine-se coletivamente o que é aceitável libertar na atmosfera. Os resultados confirmam a eficácia: mais de 99% das substâncias controladas foram eliminadas; observa-se recuperação mensurável, e a recuperação aos níveis de 1980 está prevista para cerca de 2040 na maior parte do mundo, 2045 no Ártico e 2066 na Antártida, se as políticas atuais se mantiverem.
O Protocolo de Montreal fica como referência incontornável de como a ciência, a cooperação internacional e a ação preventiva podem travar e reverter um risco à escala planetária — um modelo que o episódio seguinte, sobre a passagem das auditorias ambientais à proatividade empresarial, mostrará ainda distante da prática quotidiana das empresas nos anos 1980.