O POETA MAIS DOIDO DE PORTUGAL
Num Se Desgrace
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Ângelo de Lima, que passou metade da vida em manicómios, conseguiu a proeza de ter sido um dos autores favoritos de alguns dos nossos maiores escritores dos últimos 100 anos. Pessoa gabava-lhe “um dos melhores sonetos da poesia portuguesa”. Almada Negreiros dedicava-lhe o poema “Reconhecimento à Loucura”. Mario Cesariny disse que os surrealistas bebiam toda a sua alucinação. E a sua escrita era “uma das preferências de sempre” de António Lobo Antunes. No entanto, não só hoje como ao longo do último século, quase ninguém o conhece ou sequer ouviu falar dele. Ângelo de Lima escrevia sonetos rigorosos enquanto vivia em completa desordem pessoal. Essa contradição baralhou médicos, poetas e a própria sociedade. E se não fossem os putos do Orpheu, os seus versos ficariam para sempre arquivados numa gaveta junto aos relatórios clínicos.