MESA NACIONAL , O Vila Lisa, Mexilhoeira Grande
Gastronomia Alimentação Território Cultura
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MESA NACIONAL , O Vila Lisa, Mexilhoeira Grande
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O Vila Lisa foi dos restaurantes mais históricos do Algarve e que se assumiu como um marco cultural. Esta foi uma das últimas entrevistas com o seu principal promotor. O Vila, ou melhor José Duarte Martins da Silva faleceu em 2021.
Na Mexilhoeira Grande, onde em 1981 abriu com o amigo José Lisa a Adega Vila Lisa, nunca houve ementas nem encenações. Havia o que o mar, a ria e a terra davam naquele dia. E isso bastava. Bastava porque Vila cozinhava como quem recebe amigos em casa: sem pressa, sem artifício, com respeito absoluto pelos produtos e pela memória das receitas algarvias.
As amêijoas vinham da Ria de Alvor, ali tão perto. Os legumes das hortas vizinhas. O peixe, o polvo, os petiscos, tudo tinha o sabor inteiro das coisas honestas. Quem entrava naquela adega não ia apenas comer — ia ouvir histórias, partilhar vinho, rir alto, sentir o Algarve profundo à mesa.
Vila era cozinheiro, mas também pintor. Talvez por isso tivesse esse raro talento de compor pratos como quem pinta paisagens: com luz, textura e emoção. Sem saber, transformou uma pequena adega num lugar mítico da gastronomia portuguesa.
Miguel Esteves Cardoso, António-Pedro Vasconcelos e Miguel Sousa Tavares ajudaram a espalhar-lhe a fama. Muitos outros ali passaram: Mário Soares, Robert De Niro ou James Gandolfini. Mas no Vila Lisa nunca houve clientes mais importantes do que outros. Todos eram recebidos da mesma maneira — como pessoas.
Num tempo em que quase tudo se tornou conceito, marca ou espectáculo, Vila permaneceu fiel àquilo que realmente importa: cozinhar bem, servir melhor e fazer da mesa um lugar de encontro.
E talvez seja por isso que faz sentido voltar a reviver o grande Lisa, numa reportagem que fiz para a TVI