Quando um estrangeirismo deixa de ser estrangeiro?
André Machado - Língua e Linguística
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Quando um estrangeirismo deixa de ser estrangeiro?
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Dá para “limpar” o português dos estrangeirismos? Em que momento uma palavra estrangeira deixa de ser considerada estrangeira e passa a fazer parte da língua portuguesa? É fácil dizer que call, mindset e delivery são anglicismos desnecessários porque já temos “reunião”, “mentalidade” e “entrega”. Mas e palavras como show, menu, e réveillon? Por que algumas palavras estrangeiras provocam revolta, enquanto outras circulam tranquilamente sem que quase ninguém perceba sua origem?
Neste vídeo, vamos colocar à prova os critérios usados para separar estrangeirismos desnecessários de empréstimos linguísticos válidos: existência de equivalente em português, adaptação da escrita e da pronúncia, integração à gramática, frequência de uso e familiaridade entre os falantes. Será que existe mesmo uma fronteira objetiva entre uma palavra estrangeira e uma palavra já incorporada ao português, ou nosso ranço também depende de quem fala, do ambiente em que a palavra aparece e do grupo social que ela representa?
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Nota: A ortografia "píteça" é citada como uma proposta do gramático Luiz Antonio Sacconi na primeira edição da obra 1000 Erros de Português da Atualidade, de 1990. Não consegui verificar essa edição, então não posso falar com certeza. Apesar de não ter encontrado menção a "píteça" na edição de 2021 publicada pela Matrix, há menção explícita à grafia no livro "Nosso português do dia a dia", publicado em 2022.
Bibliografia consultada:
ASSIS, A. B. G. Adaptações fonológicas na pronúncia de estrangeirismos do inglês por falantes de português brasileiro. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Língua Portuguesa) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Campus de Araraquara, 2007.
ASSIS-PETERSON, A. A. Como ser feliz no meio de anglicismos: processos transglóssicos e transculturais. Trab. Ling. Aplic., Campinas, 47(2): 323-340, Jul./Dez. 2008
FARIA, M. M. Ideologias subjacentes aos estrangeirismos de origem inglesa no Brasil e a consciência sociolinguística. Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 31, n. 2, p. 905-946, 2023.
PRADO, N. C. O uso do inglês em contexto comercial no Brasil e em Portugal: questões linguísticas e culturais. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2015.
PRADO, N. C. A influência da língua inglesa na formação de nomes comerciais: questões de identidade linguística e cultural. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Faculdade de Ciências e Letras (Campus de Araraquara), 2014.
SACCONI, L. A. Nosso português do dia a dia. 1a ed.São Paulo: Matrix, 2022.
SOARES, L. A. O uso da língua inglesa em nomes de estabelecimentos comerciais como forma de persuasão e estratificação social. The Especialist, v. 40, n. 2, 2019.
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