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A farmácia magistral quer sobreviver ou está liderando uma nova fase de medicamentos personalizados?

ICTQ - Pós-Graduação Farmacêutica

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A farmácia magistral quer sobreviver ou está liderando uma nova fase de medicamentos personalizados?

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A farmacoterapia saiu das moléculas pequenas e entrou na era dos peptídeos. Enquanto o setor magistral brasileiro se defende de fiscalizações e notas técnicas, a indústria já disputa no exterior o direito de registrar as novas moléculas de um jeito que torna a manipulação impossível. E se a maior oportunidade da história da farmácia magistral estiver passando enquanto ela se explica? Neste episódio do podcast Acesso & Saúde, a jornalista Egle Leonardi recebe o professor do ICTQ, farmacêutico bioquímico, doutor em Bioquímica Toxicológica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pós-doutor em Imunologia Avançada pela Universidade de São Paulo (USP), Lysandro Borges, para uma conversa direta sobre peptídeos, tirzepatida manipulada, reserva de mercado e acesso. Borges é professor associado da Universidade Federal de Sergipe (UFS), membro do Departamento de Farmácia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e educador em diabetes certificado pela International Diabetes Federation (IDF). Ele é autor de 11 livros e de 113 artigos científicos publicados em revistas internacionais. O professor explica por que o adipócito murcha, mas não morre, e o que isso significa para quem usa análogos de GLP-1. Segundo ele, a pessoa que perde peso e interrompe o tratamento recupera tudo o que perdeu em cerca de 1,7 ano, e são necessários aproximadamente sete anos no peso novo para que a célula de gordura entre em apoptose. A conclusão prática interessa diretamente à farmácia magistral: o tratamento é crônico e a fase de manutenção pede doses baixas, abaixo das apresentações fixas que a indústria oferece. O episódio avança sobre temas que provocam forte reação no setor: o custo da sala limpa e o número reduzido de farmácias habilitadas a manipular estéreis, o lobby da indústria farmacêutica, a acusação de reserva de mercado, o contrabando de canetas vindas do Paraguai, da Índia e da China e a decisão do comitê consultivo do Food and Drug Administration (FDA) que abriu caminho para a manipulação de novos peptídeos nos Estados Unidos. Borges também trata da disputa em torno da retatrutida, o agonista triplo da Eli Lilly. A empresa litiga na Justiça norte-americana para que a molécula seja enquadrada como produto biológico, o que ampliaria a exclusividade de mercado e retiraria a substância do alcance das farmácias de manipulação. Atualmente, o FDA classifica a retatrutida como medicamento sintético, e o caso segue em julgamento. Para o professor, o caminho da magistral passa por investimento em estrutura, rastreabilidade lote a lote, controle de impurezas e comprovação analítica, com o mesmo rigor exigido da indústria. Quem cumprir esse padrão disputa o mercado de igual para igual. Quem ficar preso ao modelo de 40 anos atrás fecha as portas. “Esse tipo de registro é para garantir reserva de mercado da molécula”, afirma Borges. Assista ao episódio completo, inscreva-se no canal do ICTQ e participe do debate nos comentários: a farmácia de manipulação está pronta para liderar a era dos peptídeos ou vai continuar apenas se defendendo? Apresentação: Egle Leonardi Convidado: Professor Lysandro Borges Produção: ICTQ Pós-Graduação