Porto Alegre, 1920: casas de porta e janela coladas nas fábricas
Ruas de Outros Tempos
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Porto Alegre, 1920: casas de porta e janela coladas nas fábricas
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Porto Alegre, anos 1920. Numa casa de porta e janela da avenida Eduardo, no Navegantes, uma mulher abre a janela antes de acender o fogo e olha o vento. Se ele vem do sul depois de uma noite de chuva, a água do Guaíba pode estar dentro de casa no dia seguinte. No fim da quadra, a chaminé da fábrica já está acesa.
Neste episódio, atravessamos o Quarto Distrito — Navegantes, São João e Floresta — entre 1900 e 1930: as fiações, fundições, cervejarias e a fábrica de chocolates da rua Voluntários da Pátria, as casas coladas nelas, os salões de cada colônia e as cheias que o bairro aprendeu a esperar. E seguimos uma menina que entrou numa fábrica aos 13 anos e chegou à Câmara da cidade.
A mulher da janela é um retrato de muitas; os nomes, as datas e os números vêm de documentos. Onde as fontes divergem, contamos as versões.
📌 O que você vai descobrir
• A rua das chaminés: o que a Fiateci queimava por ano (7.500 talhas de lenha e 2.000 toneladas de carvão), quem trabalhava nos teares em 1913 — homens, mulheres e crianças maiores de 12 anos —, e a greve de outubro de 1906, que baixou para 9 horas jornadas que em algumas oficinas chegavam a 11.
• A casa e o dia: a casa de porta e janela, o “burgo sem água” de poços salobros, pipeiros e chafarizes, o Guaíba como “o grande tanque do povo”, o chimarrão na mesa, o bonde elétrico de 1908, o pacote de comida de 1918 e a cadeira da cozinha que ia ao cinema.
• A menina de Palmares e os salões: Julieta, que entrou na Renner aos 13 anos, por volta de 1920, e foi a primeira vereadora de Porto Alegre, em 1948; os clubes alemães, poloneses e italianos, a Sociedade Floresta Aurora, fundada em 1872 por afro-gaúchos que compravam alforrias, e a Liga da Canela Preta.
• As cheias e o que ficou: a frase de 1930 que chamou o Navegantes de “Veneza rio-grandense”, as cheias de 1926, 1928 e 1936, a enchente de 1941, o Muro da Mauá de 1974 e um conjunto de prédios erguido entre 1925 e 1928 que a água alcançou em 2024.
Conteúdo educativo e histórico.
📚 Principais fontes
• “Impressões do Brazil no Século Vinte”, Lloyd’s Greater Britain Publishing Company, Londres, 1913 (Internet Archive)
• Prefeitura de Porto Alegre, Departamento de Esgotos Pluviais — “Características topográficas e cheias na cidade” e quadro comparativo das cheias do Guaíba
• Leila Nesralla Mattar, “A modernidade em Porto Alegre: arquitetura e espaços plurifuncionais em área do 4º distrito”, tese de doutorado em História, PUCRS, 2010
• César Augusto B. Queirós, “Grevistas e não grevistas: o operariado em Porto Alegre nas grandes greves da Primeira República (1917–1919)”, Politeia: História e Sociedade, v. 13, n. 2, 2013
• Guilherme Machado Nunes, “Julieta Battistioli: a trajetória militante de uma operária comunista”, Aedos, v. 12, n. 26, 2020
— e outras fontes.
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ℹ️ Sobre este vídeo
Material educativo e histórico. Roteiro, pesquisa e edição são autorais e se baseiam nas fontes citadas na descrição. Parte das imagens são reconstruções ilustrativas criadas com ajuda de inteligência artificial, e não registros autênticos; fotos de arquivo e de banco de imagens são usadas quando houver. A voz do narrador é gerada por inteligência artificial. A narrativa foi simplificada para o grande público e pode conter pequenas aproximações. Nosso objetivo é contar e preservar a memória.
🕰️ Contexto histórico
Os fatos narrados aconteceram em condições legais e sociais muito diferentes das de hoje. Eles são apresentados para ajudar a entender a história, sem a intenção de justificar ou condenar nenhuma pessoa, comunidade ou grupo.