Cirurgia Guiada: Como Escolher a Anilha Correta de Acordo com o Kit, Brocas e Tipo de Implante
Dr. Celso Adami | Odontologia Digital
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Cirurgia Guiada: Como Escolher a Anilha Correta de Acordo com o Kit, Brocas e Tipo de Implante
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Como escolher a anilha correta para cirurgia guiada em implantodontia? O diâmetro da anilha deve ser igual ao diâmetro do implante? Qual a importância do offset? E como saber se determinada anilha realmente é compatível com o kit de cirurgia guiada que você utiliza?
Neste vídeo eu explico, de forma prática e técnica, um dos pontos mais importantes do planejamento de uma cirurgia guiada: a escolha correta da anilha, também conhecida como sleeve.
Muitos profissionais começam o planejamento pensando que, se vão instalar um implante de 3,5 mm, precisam selecionar uma anilha de 3,5 mm. Ou que um implante de 4,0 mm exige obrigatoriamente uma anilha com 4,0 mm de diâmetro interno.
Mas não é assim que funciona.
A anilha faz parte de um sistema mecânico completo. Para escolher corretamente, precisamos entender a relação entre broca, chave ou redutor, anilha, guia cirúrgico, stop, montador do implante, comprimento dos instrumentos e, principalmente, o kit de cirurgia guiada utilizado.
Você vai entender por que o primeiro passo não é escolher a anilha, mas definir o sistema de implante e o kit cirúrgico que serão utilizados. Também vamos diferenciar a cirurgia com pilotagem guiada da cirurgia totalmente guiada, ou fully guided, e mostrar como isso interfere diretamente na escolha da anilha.
Em uma cirurgia piloto, normalmente apenas a perfuração inicial acontece através do guia. Já em um protocolo totalmente guiado, praticamente toda a sequência de brocas pode trabalhar através da anilha e, dependendo do sistema, até a instalação do implante ocorre com o guia em posição.
Isso significa que a anilha precisa ser compatível não apenas com uma broca, mas com toda a instrumentação do protocolo.
Outro ponto fundamental é entender as medidas da anilha.
Dentro do software de planejamento podemos encontrar diâmetro interno, diâmetro externo, altura da anilha e sua posição vertical em relação ao implante.
O diâmetro interno está relacionado aos instrumentos que passarão através da anilha.
O diâmetro externo determina o espaço ocupado por ela dentro do guia cirúrgico.
A altura influencia a área de orientação do instrumento.
E ainda existe uma medida fundamental: o offset.
O sleeve offset ou guide offset representa a relação vertical entre a anilha e a posição planejada do implante. Essa distância está diretamente relacionada ao desenho das brocas, ao comprimento dos instrumentos e à posição dos stops utilizados pelo kit.
Por isso, alterar a posição da anilha aleatoriamente no software pode modificar a relação entre o planejamento virtual e aquilo que realmente acontece durante a osteotomia.
Também vamos falar sobre a distância entre a anilha e o osso.
Quanto maior a distância livre entre o elemento que orienta a broca e a região onde ela começa a trabalhar no osso, maior pode ser o efeito de pequenas folgas ou angulações entre os componentes.
Mas isso não significa simplesmente colocar a anilha o mais próxima possível do osso.
É preciso respeitar tecido mole, dentes adjacentes, espessura do guia, resistência mecânica, acesso para as brocas, espaço disponível e as características específicas do kit utilizado.
Outro ponto muitas vezes esquecido é o espaço interoclusal.
As brocas utilizadas em cirurgia guiada podem ser mais longas do que as convencionais. Além disso, temos o guia, a anilha, possíveis chaves ou redutores e o contra-ângulo.
Um planejamento pode parecer perfeito no computador e se tornar um problema durante a cirurgia quando percebemos que não existe abertura bucal suficiente para introduzir a instrumentação, principalmente nas regiões posteriores.
Também explico as diferenças entre anilhas abertas e fechadas e por que determinados sistemas utilizam sleeves com abertura lateral para facilitar o acesso da broca.
Vamos falar ainda sobre os sistemas sleeveless, nos quais a própria geometria impressa do guia cirúrgico funciona como elemento de orientação para a instrumentação.
Esse tipo de fluxo depende da compatibilidade do kit, do desenho do guia, da impressora 3D, da resina, da calibração e das tolerâncias entre instrumento e guia.
E isso nos leva a outro conceito essencial: a folga.
Para que uma broca consiga entrar em uma anilha existe uma pequena tolerância entre os componentes. Essa tolerância permite movimentação da instrumentação e pode influenciar a precisão final dependendo do comprimento da broca, da distância até o osso e da geometria do sistema.
Por isso, a precisão da cirurgia guiada não pode ser analisada olhando apenas para o diâmetro da anilha.
É preciso compreender o conjunto.
Cirurgia guiada não é simplesmente posicionar um cilindro sobre um implante dentro do software.
Existe uma relação mecânica entre implante, broca, stop, chave, anilha, offset e kit cirúrgico.