18 - Pós Guerra e o ambiente (parte 2)
Manuel Duarte Pinheiro
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Pós-Guerra (1945 – 1959) — Parte 2 de 2
Esta segunda parte do Pós-Guerra (1945-1959) foca nas dimensões sociais, científicas e institucionais do período, com aproximação à década do Despertar Ambiental. Em Portugal, o PIB real cresce, em média, cerca de 4,8% ao ano nesta década.
A reconstrução, sustentada pelo investimento do Estado em energia, transportes, indústria e habitação, acelera o crescimento económico e a sociedade de consumo, mas a governação ambiental permanece muito atrás: surgem apenas as primeiras respostas pontuais à poluição, num contexto em que a ciência ecológica começa, ainda assim, a organizar-se de forma sistemática.
Em 1951, o Reino Unido cria o Peak District, o seu primeiro parque nacional — cerca de 1 440 km² no centro-norte da Inglaterra, protegido por uma legislação inovadora que concilia a conservação da paisagem com o acesso público da comunidade local, através de uma intervenção de segunda ordem ("criar / controlar").
Em paralelo, consolida-se uma trajetória científica decisiva: Eugene Odum sistematiza conceitos como ecossistema, fluxos de energia e cadeias alimentares em "Fundamentals of Ecology" (1953); Rachel Carson publica "The Edge of the Sea" (1955), explicando ao grande público a interdependência dos ecossistemas costeiros — obra que antecede diretamente "Primavera Silenciosa"; e a União Internacional para a Proteção da Natureza sistematiza, já em 1951, políticas internacionais de conservação.
Em Portugal, a União Internacional para a Proteção da Natureza (fundada em 1948; redesignada União Internacional para a Conservação da Natureza em 1956) tem pouco eco imediato: os Planos de Fomento continuam a priorizar grandes barragens e industrialização, com o ambiente praticamente ausente da agenda política. No Reino Unido, a Lei do Ar Limpo de 1956 — resposta direta ao Great Smog de Londres — mostra que a regulação ambiental começa, ainda que lentamente, a ganhar forma institucional.
A confiança ilimitada no crescimento material começa a ser questionada, abrindo caminho para o Despertar Ambiental. A pergunta que dominará a década seguinte já não é como reconstruir e produzir mais, mas quais são as consequências ambientais desse crescimento.