Перейти к содержимому

9 - Antiguidade e o ambiente

Manuel Duarte Pinheiro

0:00 / 0:00

9 - Antiguidade e o ambiente

12 просмотров · 3 дня назад
Manuel Duarte Pinheiro
38 подписчиков
12 просмотров · 3 дня назад
Antiguidade (c. 3000 a.C. – 476 d.C.) A Antiguidade estende-se da invenção da escrita, por volta de 3000 a.C., até à queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., marco convencional do início da Idade Média. Reúne as grandes civilizações de irrigação — Sumérios e Babilónios na Mesopotâmia, o Egito, a Índia e a China — e culmina na unificação política e urbana de todo o Mediterrâneo sob Roma. O período nasce da fixação já iniciada no Neolítico: a escrita cuneiforme surge na Suméria (c. 3200 a.C.) como resposta administrativa à crescente complexidade, pouco depois da invenção da roda e da unificação do Egito sob o primeiro faraó (c. 3100 a.C.). Consolidam-se Estados centralizados sob reis e faraós, com irrigação organizada coletivamente e templos e palácios a centralizar o armazenamento de excedentes — o início de uma economia agrária com tributação organizada. Neste período, exemplifica dois casos opostos da gestão de recursos. Na Suméria, a irrigação intensiva, sem drenagem, elevou os sais no solo entre c. 2400 e 1700 a.C.: a fração de trigo nas colheitas caiu de cerca de 50% para 2%, sendo substituída por cevada cada vez menos produtiva, o que contribuiu para o declínio de Ur — um caso de desconhecimento hidrogeológico em que a sociedade só conseguiu "corrigir o sintoma", sem resolver a causa. Em Roma, pelo contrário, os aquedutos e a Cloaca Máxima construíram uma infraestrutura hídrica pública que serviu cerca de um milhão de habitantes e perdurou por séculos, com engenharia de declive milimétrica e câmaras de decantação — uma resposta estrutural, "criar e reestruturar", que se tornaria um modelo urbano duradouro. Entre estes extremos, cada civilização desenvolveu a sua própria adaptação: os qanats persas para transportar água sem evaporação, os socalcos gregos contra a erosão nas encostas, o ano sabático hebraico de pousio da terra, ou a rotação de culturas chinesa ao longo do Rio Amarelo. O paradigma dominante é o da transformação local e da visão utilitária dos recursos, ainda que a natureza permaneça sagrada — culto de divindades naturais, bosques e fontes sagrados. Pensadores como Hipócrates ("Dos Ares, Águas e Lugares"), Platão (a erosão da Ática, em "Crítias"), Vitrúvio e Teofrasto começam a sistematizar esse saber. O direito romano regula já o uso da água e dos resíduos, com zonamento que afasta atividades poluentes das cidades; em Portugal, a exploração mineira romana — o ouro de Três Minas, o cobre de Aljustrel, regulada pelas Tábuas de Vipasca — testemunha esse mesmo enquadramento legal aplicado à escala local. A fragmentação política e as migrações germânicas dos séculos IV e V esgotam a capacidade do Império de defender as suas fronteiras. A deposição do último imperador do Ocidente, em 476, marca o fim simbólico da Antiguidade e a passagem a uma nova ordem, dispersa e senhorial: a Idade Média.