11 - Idade Moderna e Expansão e o ambiente
Manuel Duarte Pinheiro
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11 - Idade Moderna e Expansão e o ambiente
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Manuel Duarte Pinheiro
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Idade Moderna e Expansão (1492 – 1750)
A Idade Moderna e a Expansão estendem-se da chegada de Colombo à América, em 1492, até ao limiar da Revolução Industrial, por volta de 1750. Sucede à queda de Constantinopla (1453) e à imprensa de Gutenberg (c. 1450), e é marcada pelas 95 teses de Lutero (1517), que fragmentam a unidade religiosa europeia.
O poder centraliza-se em monarquias nacionais, à custa do poder feudal e papal, sustentado por instituições que financiam as viagens marítimas e por bancos que já financiam o comércio em escala global. Portugal desempenha aqui um papel desproporcional à sua dimensão: torna-se uma das primeiras redes mundiais permanentes de circulação de pessoas, produtos, conhecimentos e tecnologias, antecipando mecanismos que hoje se reconheceriam como globalização — da mandioca americana à pimenta que revoluciona a cozinha indiana, do chá chinês ao termo "laranja" que várias línguas ainda hoje devem à origem lusa desse fruto. O modelo mental muda de "o mundo é finito e centrado na Terra" para "o mundo é maior do que se pensava, pode ser explorado e circunavegado".
Essa expansão tem um custo florestal enorme, e a época mostra, de novo, duas respostas opostas. A construção naval consumia, por navio de linha, entre duas e quatro mil árvores maduras: frotas inteiras de centenas de navios esgotaram os carvalhais de Portugal, Espanha, Inglaterra e do Báltico entre os séculos XVI e XVII, numa lógica que subordinava por completo as florestas à geopolítica — um caso de "ignorar e subverter" de ordem transformacional. Em contraponto, a República de Veneza geriu as suas florestas do Arsenal, em Montello e Cansiglio, durante cerca de três séculos, sob leis de corte rigorosas e replantio obrigatório para fins navais — um "criar e controlar" bem-sucedido, próximo do que Portugal já fizera no Pinhal de Leiria.
O paradigma evolui do domínio quase ilimitado da natureza para os primeiros alertas: Francis Bacon defende esse domínio, mas John Evelyn escreve "Sylva" (1664), sobre reflorestação, e "Fumifugium" (1661), já sobre o fumo de Londres — um dos primeiros textos europeus sobre poluição do ar. As Ordenações Manuelinas e Filipinas regulam montados, madeiras e caça, com regimentos próprios para as madeiras da Marinha; em Portugal, essa pressão sobre as florestas para as naus dos Descobrimentos leva à criação de sucessivos regimentos para o Pinhal de Leiria.
O esgotamento progressivo do modelo mercantilista e a crítica iluminista ao Antigo Regime preparam o terreno institucional e intelectual para a Revolução Industrial.