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O brasileiro não tinha carteira de trabalho até 1932 — como você provava que trabalhou 30 anos?

Arquivo Brasil

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O brasileiro não tinha carteira de trabalho até 1932 — como você provava que trabalhou 30 anos?

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Antes de 1932, quem provava que você tinha trabalhado? Em 1879, o contrato da lavoura ficava num livro guardado pelo patrão, que podia negar o atestado de saída enquanto houvesse dívida. Em 1886, a caderneta do criado em São Paulo custava 1 mil-réis, tinha 20 folhas e era registrada na polícia, com a nota de conduta escrita pelo último patrão. Em 1923, a Lei Eloy Chaves deu aposentadoria aos ferroviários com 30 anos de serviço e 50 de idade, mas para o diarista só 250 dias de serviço efetivo valiam um ano, e a conta ficava nos livros da ferrovia. Em 31 de dezembro de 1930, um decreto suspendeu as aposentadorias das caixas. A carteira profissional chegou com o Decreto 21.175, de 21 de março de 1932, e não era obrigatória: quem não tinha ficou sem voz no Ministério do Trabalho. A história passa pela vadiagem que levava ao camburão, pelas domésticas que só tiveram carteira em 1972, pelo incêndio da Eletrobras em 2004, que queimou 3 anos de contribuição de um homem com 37 anos de trabalho, e chega ao CNIS e à carteira digital.