POR DENTRO DA COREIA ANTIGA ANTES QUE ELA DESAPAREÇA | Caminhando pelos últimos becos da velha Seul
Gilson Nunchi
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POR DENTRO DA COREIA ANTIGA ANTES QUE ELA DESAPAREÇA | Caminhando pelos últimos becos da velha Seul
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Gilson Nunchi
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Neste vídeo, caminho sem um roteiro rígido pelo centro antigo de Seul, atravessando lugares que parecem separados por séculos, embora estejam a poucos minutos uns dos outros. Começo no templo Jogyesa, entre flores de lótus, incensos e pedidos silenciosos, e sigo por Insa-dong, Nakwon Sangga, Jongno 3-ga, Tapgol Park, Euljiro e Sewoon Sangga.
É uma caminhada pela Seul que sobrevive escondida debaixo da cidade moderna.
Entre templos budistas, mercados subterrâneos, restaurantes antigos, oficinas industriais e becos estreitos, encontro uma Coreia que raramente aparece nos doramas ou nos vídeos turísticos. Uma cidade habitada por idosos, comerciantes, trabalhadores e moradores de rua, mas também cercada por tapumes, demolições e projetos de redesenvolvimento que prometem substituir tudo por torres mais altas, fachadas mais limpas e aluguéis mais caros.
No Tapgol Park, idosos esperam pela distribuição gratuita de comida enquanto novas regras tentam controlar como eles ocupam o espaço público. Em Jongno, as antigas pochas resistem como lembrança de uma cultura de rua que já existiu por toda Seul. Em Euljiro, oficinas especializadas, lojas de iluminação, metalúrgicas e pequenos restaurantes continuam funcionando dentro de prédios envelhecidos, enquanto quarteirões inteiros desaparecem ao redor.
A modernização costuma ser apresentada como uma linha reta, destruir o velho, construir o novo e chamar isso de progresso. Mas o que acontece quando a cidade apaga os lugares onde sua história ainda está viva? O que desaparece junto com uma oficina, uma barraca de rua ou uma casa centenária? E quem pode continuar ocupando o centro depois que a valorização transforma memória em produto?
Depois de quase dez anos vivendo na Coreia, percebo que não é preciso esperar a velhice para sentir nostalgia de uma cidade. Às vezes, basta caminhar pelas mesmas ruas durante tempo suficiente para assistir ao desaparecimento delas.
Tópicos principais do vídeo:
• O templo Jogyesa e os símbolos do budismo coreano;
• Insa-dong e os mercados escondidos de Nakwon Sangga;
• As pojangmachas e a cultura de rua de Jongno 3-ga;
• Tapgol Park, pobreza entre idosos e distribuição gratuita de comida;
• A transformação dos espaços públicos e a expulsão das populações vulneráveis;
• Euljiro e as antigas oficinas industriais do centro de Seul;
• Sewoon Sangga, arquitetura moderna e memória urbana;
• Gentrificação, redesenvolvimento e especulação imobiliária;
• A destruição dos becos e edifícios da velha Seul;
• O conflito entre progresso, preservação e pertencimento.
📍 Gravação feita em Jogyesa, Insa-dong, Nakwon Sangga, Jongno 3-ga, Tapgol Park, Euljiro, Sewoon Sangga e Cheonggyecheon, no centro de Seul, verão de 2026.
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00:00 - Abertura: trinta e cinco graus em Jongno e o convite ao improviso
01:05 - A entrada do Jogyesa: os quatro guardiões e a gramática do templo
06:45 - O amigo com azar demais: um bom emprego fora da Coreia
13:50 - Um personagem de Kafka: a carteira perdida e o ciclo vicioso
14:50 - Insadong: casas de chá, souvenirs e a autenticidade negociável
15:35 - Nakwon: cerâmica barata, saju e antiquários
18:30 - Nenhum estrangeiro por aqui: sopas a sete mil wons e a Coreia dos anos setenta
20:15 - A cena de 유열의 음악앨범 e o labirinto até a saída
23:00 - Gangnam, 2012: a máfia contratada para limpar a calçada
24:45 - Sinais de gentrificação e a chegada a Tapgol
27:25 - O baduk proibido e a cena de Round 6 gravada exatamente aqui
28:10 - Comida de graça ao pé de um pagode
29:00 - Garrafas de Bacchus: velhice, desejo e sobrevivência
31:35 - Euljiro: onde começou a industrialização da Coreia
32:25 - Oficinas centenárias, prédios vazios e donos ausentes: a especulação como projeto
34:20 - Hiroshima e Oppenheimer na semana da Libertação: os coreanos mortos em 1945
40:50 - Sewoon Sangga: o primeiro prédio multiuso e a modernidade envelhecida
42:20 - Só lojas de luz: Vincenzo, Pietà e o cinema que passou por aqui
43:40 - Cheonggyecheon: a avenida que virou rio outra vez
47:05 - 휴일, de Lee Man-hee: o mesmo ângulo nos anos sessenta
54:30 - Um vídeo no improviso: a urgência de mostrar antes que acabe
1:01:20 - O xamã, a suástica e a vista do alto: o mapa do que será destruído
1:02:10 - Encerramento: omija ade e a saudade como método
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