Temporal
Alíghierick
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Alíghierick
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VÓRTICE é sobre aquilo que nos prende antes mesmo de sabermos seu nome.
Entre ruínas, espelhos e relógios quebrados, alguém tenta descobrir se está desaparecendo — ou apenas mudando de forma.
Algumas coisas não terminam quando acabam.
Às vezes, começam a girar.
Lyric:
[Intro]
Não, não houve nada... que eu quisesse varrer
Nem o peso do tempo forçando em querer me ver
o que mais me doeu... e o que quis desabar
Virou a espessa poeira que me ensinou a andar
[Verse 1]
Que venham os dias, rasgando a manhã...
se ontem foram as cinzas, hoje faço dela um talismã...
Não... Eu não faço do choro um rastro, nem cobro por perdão
Agora o passado está em outra dimensão
paguei o preço da vida de me reescrever,
olhei no vazio do espelho, para assim me ver renascer...
minha casca do corpo estava aberta e o vento soprou...
não teve pausa pro lamento...
a minha alma o tempo levou!
Como um presente... Eu enfim aguento...
Zerei o relógio, antes dele dançar,
dilato o frâme do segundo, antes da gira-girar
Enquanto eu desabo nos braços do mundo
Não há o que temer,
do amargo viés
fecharei os meus olhos pro chão,
mais uma vez,
contarei até dez.
Não, eu não sinto mais saudade em errar
Nem do frio que habitou o inverno...
Respiro firme... me deixei passar
E nada se perde... faz nó e se embola,
para então, só assim, ela vir alinhar
Non, rien de rien...
Já não há mais o que chorar
O tempo se expande e comprime... só para o eco ficar
No vasto silêncio...
pôsto a luz, vendaval
se me jogo aos leões
é pra no fim,
eclodir,
Temporal