Vórtice
Alíghierick
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Vórtice
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Alíghierick
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VÓRTICE é sobre aquilo que nos prende antes mesmo de sabermos seu nome.
Entre ruínas, espelhos e relógios quebrados, alguém tenta descobrir se está desaparecendo — ou apenas mudando de forma.
Algumas coisas não terminam quando acabam.
Às vezes, começam a girar.
Lyric:
[Intro]
Conto as frestas no teto.
Deixo o escuro entrar.
O café perde o gosto.
Eu paro de perguntar.
Você diz: "Tenha calma",
como se calma pagasse as contas.
Mais uma semana afunda.
Mais uma parte minha some.
[Verse 1]
Eu sei tua desculpa
antes de você falar.
Sei a pausa, o silêncio,
sei quando vai negar.
Chamei estrago de amor.
Chamei medo de paz.
Apertei tanto esse nó
que não senti mais nada.
Eu me afoguei na tua chuva
pra você não se molhar.
Carreguei tua sujeira
como se fosse minha.
[Pre-Chorus]
Não me chama de forte.
Você não sabe o preço.
Eu só fiquei de pé
porque cair não era opção.
[Chorus]
Fala na minha cara, sem amassiar a lâmina.
Dei meu sangue nisso aqui e vi minha lágrima secar.
Se o teu amor é dívida, rasga a cobrança:
Eu cansei de sangrar em silêncio pra salvar tua farsa.
Chama pelo nome. Deixa o quarto ouvir.
Eu aprendi a ir embora sem te dar satisfação.
Engole a promessa, engole a chave, engole a tua culpa.
Eu tô saindo vivo — e tuas queixas ficam agora no chão.
[Verse 2]
Maxilar travado.
Teu sorriso habitual.
Eu trouxe fatos, trouxe marcas.
Você: "Não foi bem assim."
Conheço cada degrau,
cada porta, cada fuga.
Sei o peso do silêncio
quando a verdade te procura.
Meu cansaço virou veneno.
Minha paciência, pavio.
Você queria um fantasma.
Eu virei incêndio.
Você queria que eu coubesse
dentro da tua versão.
Mas eu já não sou tua casa.
Eu sou a implosão.
Fui puxada pro fundo,
feito estrela sem chão,
girando em volta do nada,
perdendo direção.
Quanto mais eu ficava,
menos eu conseguia voltar.
Até entender:
não era amor me prendendo —
era gravidade.
Então deixa cair.
Deixa tudo desabar.
Se a cidade é o que me engole,
eu viro o próprio vórtice.
Sem pedido.
Sem desculpa.
Sem teu perdão.
Eu não vou te convencer.
Eu vou sair.
[Chorus]
Fala na minha cara, deixa o som rasgar!
Eu tô vendo a verdade limpa, sem tua sombra aqui.
Se o teu amor era uma dívida, tá quitado essa merda.
Eu cansei de ficar quieto — agora quem fala sou eu!
Chama pelo nome. O quarto já aprendeu.
Tô indo embora sem olhar pra trás.
Fica com tua casa vazia e tua culpa no peito.
Eu saí respirando.
E você não me alcança nunca mais!
[Outro]
Teu nome fica aqui.
Teu nome morre aqui.
Tudo que era meu
volta pra mim.
Eu vou respirar.
E dessa vez...
eu vou.