25º.DTC: “Não posso fazer dos meus bens o que eu quero? Ou me olhas com inveja por eu ser bom?”
Jose Oscar Beozzo
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25º.DTC: “Não posso fazer dos meus bens o que eu quero? Ou me olhas com inveja por eu ser bom?”
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Jose Oscar Beozzo
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Nos dois últimos domingos, vimos as orientações de Jesus para a vida na comunidade, com ênfase na atenção aos pequeninos e aos necessitados e no lugar essencial da correção fraterna e do perdão “não apenas sete, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 1-25).
Hoje saltamos da comunidade para a sociedade, para o mundo do trabalho. Estão envolvidos quem dá e quem busca trabalho ou mesmo desanimou de o encontrar; a negociação sobre o começo e o fim da jornada de trabalho e sobre o valor do salário.
Jesus propõe uma parábola, que só está registrada no evangelho de Mateus. Algumas bíblias intitulam-na: “Os operários da última hora” (Mt 20, 1-16).
A parábola é apresentada em dois momentos: um primeiro, centrado na busca de trabalhadores, e um segundo, no desconforto e na controvérsia a respeito do pagamento.
A parábola começa assim:
“O Reino dos céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia e os enviou para a vinha” (20, 1-2).
Às nove horas, o patrão vê que o serviço não avançou o suficiente e sai em busca de mais trabalhadores que estavam na praça desocupados e lhes diz: “Ide também vós para minha vinha e eu vos pagarei o que for justo” (20, 4).
Precisou fazer a mesma coisa ao meio-dia e às três da tarde.
Pelas cinco da tarde, voltou ainda à praça e encontrou outros trabalhadores e perguntou-lhes: “Por que estais aí o dia inteiro desocupados?” Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’” (20, 6-7).
Às seis da tarde, o patrão poderia ter chamado os que começaram de manhãzinha e pago o que haviam combinado. Eles iriam satisfeitos ao receber o que fora ajustado..
Fez porém o inverso. Começou pelos últimos e pagou-lhes uma moeda de prata.
“Em seguida, vieram os que foram contratados primeiro e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata” (20, 10).
E aí, o clima azedou:
“Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: ‘Estes últimos trabalharam uma hora só e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro’.”
Certamente, muitos de nós iríamos engrossar o coro dos que se insurgiram e concordar com sua queixa, muito semelhante à do irmão que vê o Pai acolher o filho pródigo, que retornou, e a festa que lhe fora preparada. Fica irritado, recusa-se a entrar na casa e ainda confronta o Pai:
“Vê, há tantos anos que eu te sirvo, sem desobedecer a uma ordem tua e nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Porém, quando chegou esse teu filho, que devorou tua fortuna com prostitutas, mataste para ele o bezerro cevado” (Lc 15, 29-30).
O Pai lhe respondeu:
“Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Era necessário fazer festa, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi encontrado” (Lc 15,31).
Voltando à nossa parábola, o patrão responde aos que reclamavam:
“Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa. Eu quero dar a este que foi contratado por último, o mesmo que eu dei a ti. Por acaso, não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque eu estou sendo bom?” (20, 14-15).
Pagola comenta com razão:
“Não toleramos a bondade infinita de Deus para com todos: há pessoas que não o merecem. Achamos que Deus deveria dar a cada um o que ele merece e só o merecido. Menos mal que Deus não é como nós. De seu coração de Pai, Ele sabe dar também seu amor salvador a essas pessoas que não sabemos amar”.
O fecho da parábola, remete-nos à lógica do Reino anunciado por Jesus e que não costuma ser a nossa:
“Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (20, 16).