16ºDTC: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com 3 porções de farinha”.
Jose Oscar Beozzo
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16ºDTC: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com 3 porções de farinha”.
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Jose Oscar Beozzo
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Depois da parábola do semeador (Mt 13, 1-23), o evangelho deste 16º. domingo apresenta-nos outras três parábolas, a do joio e do trigo, a do grão de mostarda e a do fermento na massa (Mt 13, 24-43).
A do joio, fala-nos da desagradável surpresa que lhe trazem os empregados, quando descobrem que, no meio do trigo, está germinando também o joio, uma erva daninha.
“Os empregos foram então procurar o dono e lhe disseram: `
‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?
O dono respondeu:
‘Foi algum inimigo que fez isto’.
Os empregados lhe perguntaram:
‘Queres que vamos arrancar o joio?’ (13, 27-28).
Diante do mal que irrompe ao nosso redor: em nós mesmos, na família, na vizinhança, no trabalho, na comunidade da Igreja, na vida econômica, na política, começamos a sonhar com um mundo totalmente diferente e cedemos a tentação de acabar com tudo, em busca de um mundo perfeito, .
Comenta-nos Sandro Gallazzi:
“É fácil e ao mesmo tempo perigoso e alienante
sonhar com um mundo perfeito.
Fácil, porque não custa nada, nos alivia das tensões, faz válvula de escape da panela de pressão, que é a realidade e até nos faz sentir ideológica e politicamente corretos.
Perigoso, porque nos pode transformar em fanáticos messiânicos e apocalípticos capazes de arrancar e destruir tudo que, à luz da nossa visão futura, consideramos o joio a ser extirpado desde já.
Alienante, porque ao não conseguirmos extirpar coisa nenhuma, podemos acabar numa situação frustrante de fuga, refugiando-nos, melancolicamente, no “mundo dos sonhos” e, o que é muito pior – no mundo dos perfeitos,
O Reino dos Céus não é futuro, é história. História com suas dinâmicas ambíguas e contraditórias”.
Aos empregados que querem imediatamente arrancar o joio, o dono respondeu:
“Não!
Pode acontecer que arrancando o joio, arranquem também o trigo.
Deixai crescer um e outro até a colheita.
E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado. Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro’” (13, 29-30).
Para significar os começos insignificantes, escondidos e apagados do Reino dos Céus, tão diferente de tudo que é grande, espetacular e ao mesmo tempo vazio e passageiro, Jesus vai compará-lo à menor de todas as sementes, a de uma planta que nem é citada em todo o Antigo Testamento, ao lado das prestigiosas figueiras, oliveiras e das vinhas cantadas e cobiçadas:
“O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem seus ninhos em seus ramos”.
Será que não estamos deixando de apostar, como fazia Jesus, nos pequenos e humildes, esquecidos daquilo que repete o refrão deste cântico das comunidades:
“O mundo será melhor
Quando o menor que padece
Acreditar no menor”.
E Jesus acrescenta ainda uma terceira parábola, tirada da experiência quotidiana das mulheres que preparavam o pão em suas casas:
“O Reino dos céus, é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (13, 33).
Três medidas é muita farinha, cerca de quarenta quilos e, mesmo assim, um pouco de fermento, perdido e misturado no seu meio, é capaz de levedá-la e produzir uma boa massa para o pão.
Sejamos o bom fermento do evangelho no meio da comunidade e da sociedade, sem ficar esperando por resultados imediatos e espetaculares.
A ação de Deus é silenciosa, permanente e escondida.
Trilhemos o caminho da pequenez do grão de mostarda e da força escondida e fecunda do fermento e do trabalho da mulher, que prepara o pão da vida, que sacia os famintos e é repartido entre todos e todas, sem exclusões e discriminações.